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02 Dezembro 2016

Domingo passado, o apelo foi para ficarmos atentos e nos mantermos preparados! Hoje, João Batista nos conclama a que mudemos nosso coração e convertamo-nos à misericórdia, no serviço de acolher... Somente assim podemos preparar os caminhos do Senhor.


A reflexão é de Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 2º Domingo do Advento, do Ciclo A (04 de dezembro de 2016). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

 

Eis o texto.

Referências bíblicas

1ª leitura: “Ele não julgará pelas aparências, mas trará justiça para os humildes.” (Isaías 11,1-10)

Salmo: Sl 71(72) - R/ Nos seus dias, a justiça florirá.

2ª leitura: O Cristo salva todos os homens. (Romanos 15,4-9)

Evangelho: “Convertei-vos, porque o reino dos Céus está próximo.” (Mateus 3,1-12)


Com a vida pela frente

Quando a idade vai chegando (atenção, jovens: este comentário é também para vocês), costumamos falar em "ter a vida pelas costas".A esta constatação, podemos acrescentar que, se formos lúcidos, uma retrospectiva rápida sobre a nossa vida não nos despertaria nenhum desejo de festejar.Aliás, há momentos em que, olhando o passado, só vemos o que foi bom, e outros momentos em que só percebemos fracassos e insuficiências.

No fundo, não importa porque, qualquer que seja a nossa idade ou estado de saúde, a nossa vida não está para trás, no passado, mas, sim, diante de nós, à nossa frente. Estamos indo em direção à vida, no que nem sempre é fácil acreditar. Pois eis que estamos, aqui e agora, num ponto preciso da nossa existência.

O passado está inscrito em nosso corpo e em nosso espírito como se fossem camadas geológicas, mas ativas, para o melhor e para o pior. É grande a tentação de imaginar que o passado nos enclausura numa espécie de destino. Mas não é nada disso, pois, onde quer que estejamos, estamos sob o domínio de um apelo que nos vem dum outro lugar, dum "ainda não aí".

Estamos em processo de criação: estamos ainda “por vir”. Por isso, as três leituras deste domingo, cada uma a seu modo, nos colocam numa posição de espera, de expectativa, ou seja, de esperança (palavra tirada da segunda leitura, onde é dada como sinônimo de perseverança e coragem).A plenitude da vida está diante de nós, no final da nossa estrada.


O que estamos esperando?

A primeira leitura tem a resposta: “Um ramo sairá do tronco de Jessé, um rebento brotará de suas raízes.” O Novo Testamento vê esta promessa cumprida na pessoa de Jesus Cristo. Seria, portanto, o final desta espera? Não, porque a imagem do rebento, ou do broto, sugere um crescimento.

O nosso conhecimento de Cristo, como diz Paulo, por ora é imperfeito. E mais, há o crescimento deste corpo de Cristo que é nossa comunhão na unidade. E que, portanto, em certo sentido, é o crescimento do próprio Cristo, que só atingirá todo o seu porte na hora de “sua vinda, na glória”, o que para nós permanece um mistério.

Em 1 João 3,1-2, ficamos sabendo que o nosso próprio crescimento e o ATINGIR A PERFEIÇÃO DA NOSSA CRIAÇÃO coincidirá com a revelação do Cristo tal qual Ele é. Seremos então "participantes da natureza divina" (2 Pedro 1,4.) Quanto ao evangelho de hoje, que relata a pregação de João Batista, está todo ele voltado para "Aquele que vem".

Cuidemos, no entanto, de não situar a vinda de Cristo num futuro indeterminado: o "Ele virá" ganha permanentemente a forma do "Ele vem". As Escrituras dão testemunho deste duplo aspecto: o Reino de Deus é para o final dos tempos; e, no entanto, "está próximo", "já está aí, no meio de vós" (ou "entre vós", que incorpora o Reino de Deus ao amor).

Em nós, a esperança já é de fato a presença e a posse do que esperamos (numa tradução abrangente de Hebreus 11,1).


O fim do futuro

Aqui estamos, pois, começando sempre a viver uma história, na qual cada instante já vem carregado com a presença do futuro. E esta é uma presença ativa e criadora, uma vez que se trata da Presença divina. Se fôssemos condicionados somente por nosso passado, estaríamos -é preciso repetir- enclausurados na prisão do destino.

O nosso passado é de fato assumido e reconstruído ao se desenvolver a nossa aliança com Deus, aliança que faz gerar o novo, pois Deus é sempre novo. Pensemos numa criança, em seu nascimento: há todo um passado dentro dela, no DNA da sua herança. E, no entanto, ela é nova, imprevisível e única.

Ser filho de Abraão é uma boa herança, mas, por Deus ser livre, ou seja, detentor do poder de fazer surgir o novo (as crianças nascidas "destas pedras"), ser aliados d’Ele nos torna participantes da sua liberdade absoluta. Mas João Batista nos anuncia o final deste percurso e a hora do balanço.

Ele vê em perspectiva a vinda do Cristo, que veio já em Belém, mas que, agora, com a sua última vinda, está na vigília de nascer para o cumprimento da sua missão: proferir a palavra cortante que opera a triagem entre o bem e o mal, entre o que vale e o que nada vale.

Atemorizante? Não, pois somos todos portadores de palha e do bom grão: a triagem final libertará cada um de nós "do homem iníquo e fraudulento" (Salmo 43) que, em nós, que somos imagem de Deus, vive como uma parasita. Tudo virá à luz, mas tudo o que vem à luz, até mesmo as nossas trevas, se torna luz (Efésios 5,13 e Salmo 139,12).

 

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