Honduras. Uma sombra de temor sobrevoa a caravana

Foto: Deniseg/ Agência Brasil

Mais Lidos

  • Zohran Mamdani está reescrevendo as regras políticas em torno do apoio a Israel. Artigo de Kenneth Roth

    LER MAIS
  • Os algoritmos ampliam a desigualdade: as redes sociais determinam a polarização política

    LER MAIS
  • “Os discursos dos feminismos ecoterritoriais questionam uma estrutura de poder na qual não se quer tocar”. Entrevista com Yayo Herrero

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

25 Outubro 2018

É a caravana de número 14, um terço de crianças, em sua maioria procedente de Honduras, mas que, na medida em que avança se junta a grupos de guatemaltecos, salvadorenhos, nicaraguenses e até mexicanos.

A reportagem é publicada por Página|12, 24-10-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Exemplo vivo das tragédias que as políticas migratórias desumanas dos governos dos Estados Unidos e do México provocam, nas próximas horas ingressará no território mexicano através da guarita El Carmen-Talisman cerca de 50 mulheres procedentes de Honduras, Nicarágua, El Salvador e Guatemala, todas elas mães de transmigrantes desaparecidos no trajeto do México à fronteira norte.

Esta caravana, a décima quarta, organizada pelo Movimento Migrante Mesoamericano, se faz presente em um momento e em um lugar convulsionados pela  crise humanitária que se desenvolve com o caminhar de mais de 7 mil pessoas, um terço de crianças, em sua maioria procedente de Honduras, mas que na medida em que avança se junta a grupos de guatemaltecos, salvadorenhos, nicaraguenses e até mexicanos.

Todos eles consideram que apesar do alto custo em sofrimento e esforço, avançar pela rota migratória em massa e no contexto de uma caravana organizada é muito menos perigoso do que andar em pequenos grupos na rota migratória. A 14ª caravana do Movimento Migrante Mesoamericano, meticulosamente organizada com vistos, proteção do Estado mexicano, logística e atenção das necessidades vitais dos viajantes, se propõe estar presente na coluna do êxodo hondurenho, que no dia de hoje acampa em Huixtla, a uns 80 quilômetros da cidade de fronteira, Talisman. Ali eles oferecerão uma mensagem de consolo e solidariedade aos caminhantes que neste dia processam o doloroso luto de ter perdido um dos seus.

Na noite passada, em Huixtla, foi velado o corpo do jovem Melvin Josué, que no dia de ontem caiu de cima de um dos caminhões que ajudam no avanço dos migrantes. Sofreu fratura de crânio e os especialistas dos Médicos do Mundo nada puderam fazer para salvá-lo. Esta primeira baixa no êxodo migrante reascendeu a preocupação das organizações de direitos humanos que, de maneira precária, acompanham a caravana. Mas, sobretudo, espalhou uma sombra de desânimo e temor no restante dos caminhantes.

Leia mais