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12 Junho 2011

O debate "Migrações e Mudanças climáticas – o que temos a ver com isso?", realizado no Anfiteatro da Biblioteca de Ciências Humanas e Educação da UFPR, colocou em debate a problemática recente do refugiado ambiental. No painel, o geógrafo Wilson Flávio Feltrim Poseglini, a professora de Direitos Humanos Chrystiane Paul e o padre Alfredo José Gonçalves apresentaram suas visões sobre o fenômeno da migração, nem sempre muito visível para a sociedade.

A reportagem é Gazeta do Povo, 13-06-2011.

Chrystiane descreveu a situação de quem tem muito em comum com o drama do migrante, o refugiado ambiental, figura ainda desconhecida no âmbito jurídico. A convenção de Genebra, de 1951, classifica como refugiado a pessoa que não pode regressar ao país de origem em razão de perseguição motivada por raça, religião, associação ou opinião política. Não há menção à questão ambiental. A professora ressalta que o tema nem mesmo chega à pauta de grandes discussões sobre o clima, como a COP-15, realizada em Copenhague em 2009. Na prática, a questão é recorrente. "Quem deixou Chernobyl após o acidente nuclear de 1986 ou Fukushima após a explosão atômica pós-tsunami, em março, não pôde voltar para casa porque sua vida esteve ou está ameaçada por questões que a convenção não prevê", diz.

O geógrafo Poseglini concorda e aproveita para detalhar os novos conceitos: "Os moradores de Fukushima não são vítimas diretas do clima, mas da contaminação do ambiente" , diz.

Poseglini refuta o catastrofismo que costuma rondar o debate ambiental, mas destaca que o fato de que o nível do mar não subirá além de um metro até o fim do século não significa que não seja preciso tomar medidas para enfrentar a lenta adaptação pela qual passa o planeta, levando-se em conta que a proteção das populações exige cuidados no macro e no microcosmo. "Está na hora de não olhar somente para o degelo glacial, mas também para os córregos no fundo de nossas casas", recomenda.

Padre Alfredo Gonçalves, superior provincial dos missionários de São Carlos, ordem cuja vocação é dar assistência aos migrantes, endossa a visão do geógrafo. Para o sacerdote, atribuir peso majoritário aos fatores climáticos é um erro. Mesmo em condições climáticas extremas, a pobreza é que força a migração. "Quem deixa sua terra por falta de opção para fixar-se nela é também vítima de assimetrias de outra ordem, como econômicas e sociais", enumera.