MPF e DPU cobram explicações de Cláudio Castro por operação letal no Rio

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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29 Outubro 2025

Ofício pede que o governo prove cumprimento da ADPF das Favelas, justifique o uso da força e detalhe custos e objetivos da ação que deixou 64 mortos.

A reportagem é de Carter Anderson, publicada por Agenda do Poder, 28-10-2025.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) enviaram nesta terça-feira (28) um ofício ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), exigindo explicações sobre a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha. A ação, que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, resultou em 64 mortes — entre elas quatro policiais — e já é considerada a mais letal da história do estado.

Assinado pelo procurador Julio José de Araújo Júnior e pelo defensor público Thales Arcoverde Treiger, o documento questiona se as diretrizes impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635 — conhecida como “ADPF das Favelas” — foram respeitadas durante a operação. Essa decisão da Corte, de 2020, impõe uma série de limites a incursões policiais em comunidades, sobretudo quanto à preservação da vida de moradores e ao uso proporcional da força.

Questionamentos sobre legalidade e transparência

No ofício, o MPF e a DPU solicitam que o governo estadual informe “de que forma o direito à segurança pública foi promovido”, explicando as finalidades da ação, os custos envolvidos e a inexistência de alternativas menos letais para alcançar o mesmo objetivo. Também cobram comprovação de medidas que deveriam ter sido observadas, como:

  • Definição prévia do grau de força empregado e justificativa formal da operação;

  • Atuação dos órgãos periciais para coleta e preservação de provas;

  • Uso de câmeras corporais e nas viaturas;

  • Divulgação pública de relatório detalhado sobre a ação;

  • Respeito aos horários de entrada e saída de alunos em escolas;

  • Presença de ambulâncias nas áreas de confronto;

  • Observância das regras constitucionais para buscas pessoais e domiciliares.

Os órgãos afirmam que as respostas são essenciais para avaliar se houve violações de direitos humanos e se o Estado cumpriu as determinações do STF. O pedido também busca verificar se as mortes foram devidamente registradas e investigadas, conforme determinações anteriores da Corte e recomendações de organismos internacionais.

A operação e o balanço oficial

Segundo a Polícia Civil, o objetivo da ação era cumprir mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho, incluindo criminosos de outros estados que estariam escondidos nos complexos da Penha e do Alemão, apontados como bases da facção para a expansão do tráfico no país. O balanço oficial indica 56 suspeitos mortos, além dos quatro agentes de segurança. Oito policiais ficaram feridos e quatro moradores foram atingidos por tiros.

Foram presas 81 pessoas e 75 fuzis apreendidos. A megaoperação contou com a participação de promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ).

A ação provocou forte reação de organizações de direitos humanos, partidos de oposição e parlamentares, que questionam a proporcionalidade da força empregada e o alto número de mortes em áreas densamente povoadas.

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