Vamos salvar o conhecimento. Artigo de Enzo Bianchi

(Foto: Shubham Sharan | Unsplash)

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26 Abril 2023

"O professor entrega símbolos, chaves para interpretar a realidade: é aquele que indica o horizonte, que 'orienta', ou seja, ajuda a encontrar o 'oriente', o lugar onde nasce a luz da vida. É significativo que de acordo com a tradição sapiencial judaica, o sábio é aquele que sabe orientar os outros na vida", escreve Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado por La Repubblica, 24-04-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Estamos cada vez mais conscientes de que o conhecimento hoje, especialmente com a introdução da inteligência artificial, é afetado em suas duas funções principais: a pesquisa entendida como quaerere e a transmissão de conhecimento. Jean François Lyotard já o havia profetizado: “O antigo princípio segundo a qual a aquisição do conhecimento é inseparável da formação do espírito, e também da personalidade, cai e cairá cada vez mais em desuso... O conhecimento é e será produzido para ser vendido e consumido e, portanto, para ser trocado: chegaremos à mercantilização do conhecimento”.

Portanto, é necessário refletir sobre o ensinar para destacar que é um ato gerado por uma pessoa que tem a exousia, a autoridade e a consequente humildade de se colocar em relação.

Por ter aprendido, lhe foi ensinado, é capaz de ensinar.

Ensinar significa "fazer um sinal" e designa a função de pessoas que se tornam portadoras, doadoras e transmissores de sinais.

O professor entrega símbolos, chaves para interpretar a realidade: é aquele que indica o horizonte, que "orienta", ou seja, ajuda a encontrar o "oriente", o lugar onde nasce a luz da vida. É significativo que de acordo com a tradição sapiencial judaica, o sábio é aquele que sabe orientar os outros na vida. Está escrito no Livro dos Provérbios: "O sábio segura o leme" e no Eclesiastes "As palavras dos sábios são como aguilhões", ou seja, estímulos para investigação, a pesquisa e "marcos", isto é, marcadores de estradas e pista que sinalizam o limite. Sugerem, não impõem, não calam mas não gritam. Como o oráculo de Delfos, através do qual o deus não fala: faz um sinal (Heráclito f. 93).

Sim, os professores são chamados a fazer gestos expressivos, onde o sentido deve ser entendido em sua tripla acepção de significado, de direção, de sabor, sem esquecer a dimensão estética em que a beleza dá plenitude a todo sentido. Nessa relação entre o professor e o destinatário do ensinamento, chamado discípulo, certamente a relação não deve ser asséptica, porque o ensinar deve estar imbuído de "eros", de capacidade afetiva.

Assim educa-se de forma séria, como sugere o verbo educere, "conduzir fora de... para...": fazendo-se sair, inspirando um êxodo de si mesmos e aceitando o risco da liberdade. Assim, o professor torna-se também um barqueiro que faz o jovem atravessar para outras margens. A relação educação-ensino não é fácil, “não se pode educar sem, ao mesmo tempo, ensinar; e educação sem ensinamento é vazia e degenera numa retórica moral. Mas pode-se ensinar sem educar e pode-se continuar a aprender sem nunca se educar", escreve Hannah Arendt, que também observa: "A educação é o ponto em que se decide se amamos o mundo o suficiente para assumir a responsabilidade por ele, para salvá-lo da ruína, inevitável sem a renovação das novas gerações!”.

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