A falsa contraposição e aquela verdadeira. Artigo de Salvo Coco

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23 Janeiro 2023

"A oposição não é entre tradicionalismo e progressismo, mas entre aqueles que querem que tudo na Igreja permaneça como está e aqueles que querem fazer a Igreja aderir à mensagem do Evangelho. Os progressistas não existem, existem os discípulos de Cristo que sonham com uma Igreja desclericalizada e estão empenhados em realizá-la", escreve Salvo Coco, em artigo publicado por Settimana News, 18-01-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Fala-se muito de duas facções opostas que disputam o cenário eclesial. Como duas torcidas ou duas tribos armadas uma contra a outra. Tradicionalistas contra progressistas. Considero essa oposição fictícia e artificiosa. Foi inventada de propósito para paralisar o desenvolvimento reformador da Igreja.

Não existem duas tribos competindo pela Igreja. A realidade é que o clericalismo perverteu a mensagem cristã e instaurou um sistema de poder baseado no sagrado. E há os cristãos que se opõem ao clericalismo em nome do Evangelho. Os "progressistas" não existem, assim como não existiam os modernistas no século XIX. É um termo inventado para desviar o discurso e mascarar a verdadeira aposta que é a luta contra o clericalismo e o começo das necessárias reformas eclesiais.

Quem se esforça por uma Igreja diferente e mais evangélica não são os “progressistas” de hoje nem os “modernistas” de ontem, são testemunhas de Cristo que amam a Igreja e por isso mesmo se empenham em reformá-la. Aqueles que querem manter o atual sistema de poder criam frentes artificiosas de oposição para bloquear qualquer renovação. Criam um clima de tensão, alimentam as "fofocas", espalham venenos, disseminam fake news, instigam os espíritos, fomentam a confusão, etc.

O termo progressismo (assim como modernismo e similares) foi cunhado pelos tradicionalistas para distorcer a realidade e culpar aqueles que se empenham para encarnar a fé na história. Trata-se de uma mistificação. A verdadeira oposição não é entre progressistas e tradicionalistas, mas entre aqueles que querem lealmente reformar a Igreja e aqueles que não querem nenhuma renovação séria e estrutural. E isso vale tanto para Valdo quanto para Lutero, tanto para Erasmo de Roterdã quanto para Rosmini, tanto para Hans Küng quanto para o Papa Francisco.

Vou dar um exemplo concreto. Se Francisco abolir a Summorum Pontificum (que abria as portas para os tradicionalistas anticonciliares) não pode ser acusado de progressismo ou modernismo (como aconteceu nos círculos conservadores). O papa corrigiu uma falsa oposição e agiu no respeito do espírito conciliar que é reformar a Igreja das amarras de uma tradição usada como instrumento para deixar tudo inalterado. Não se tratou, portanto, de uma luta entre dois extremismos, mas de uma correta correção de rumo.

A oposição não é entre tradicionalismo e progressismo, mas entre aqueles que querem que tudo na Igreja permaneça como está e aqueles que querem fazer a Igreja aderir à mensagem do Evangelho. Os progressistas não existem, existem os discípulos de Cristo que sonham com uma Igreja desclericalizada e estão empenhados em realizá-la.

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