Países caribenhos e latino-americanos aumentam exportações de alimentos, mas parte do seu povo passa fome

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23 Março 2022

 

Por que na América Latina, que produz comida suficiente para alimentar o dobro de sua população, há milhares de pessoas que passam fome? É a pergunta que o jornalista argentino Leonardo Oliva lança no artigo “O paradoxo da fome”, divulgado no site Connectas. Os que produzem comida não podem se alimentar de forma condizente.

 

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

 

Apesar da pandemia, 12 países da América Latina, entre eles o Brasil, e o Caribe aumentaram as exportações agrícolas, indicam dados coletados pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura. No mesmo período, também cresceu a pobreza nessas regiões.

Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) concluíram que a fome nas duas regiões atingiu o ponto mais elevado desde o ano 2000, com um incremente de 30% de 2020 a 2021. Assim, 59,7 milhões de caribenhos e latino-americanos não têm acesso a uma alimentação correta.

A pandemia é um dos motivos que levou a esse quadro. Mas não é o único. O informe do Latinobarômetro 2021 demonstra que a dificuldade de caribenhos e latino-americanos se alimentarem foi registrada ainda antes da pandemia. Em 2018, 27% das populações das duas regiões – contra 21% no ano anterior - não tinham condições para alimentar-se “alguma vezes”, percentual que subiu para 30% em 2020.

“O fenômeno da fome é multicasual”, definiu o diretor da rede Colombian Food Bank, Juan Carlos Buitrago. A fome, elencou, “tem a ver com o acesso à água potável, com a educação dos pais, com o acesso aos serviços de saúde, com a disponibilidade e acesso aos alimentos. Na América Latina, em termos gerais, não há problema de disponibilidade de alimentos; o problema é o acesso a eles. Podemos ter supermercados cheios, mas se não pudermos comprar, não conseguiremos nos alimentar adequadamente. Então, essencialmente, o problema é a pobreza”, definiu na entrevista a Oliva.

A diretora executiva do Projeto Fome México, Monserrat Salazar, disse que na raiz do problema está um sistema tremendamente desigual. Isso se manifesta na diferença de renda a que indivíduos e famílias têm acesso. Ela lembrou que nas duas regiões a alimentação adequada “é mais cara em comparação com outras do mundo”, o que demonstra mapa do The World Order. O mapa apresenta graficamente qual porcentagem de renda as famílias devem dispor para se alimentar. Na América Latina, apontou Salazar, “esse índice é cinco ou seis vezes maior do que na Europa ou na América do Norte”.

A FAO tem por meta chega à fome zero nos países do mundo até 2030. Lamentavelmente, o Caribe e a América Latina não avançaram para tal alvo, ao contrário, estão até mais distante dele.

 

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