COP26, a virada da China e dos EUA: “Trabalharemos juntos contra as mudanças climáticas”

Foto: The Left in the European Parliament | Fotos Públicas

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

11 Novembro 2021

 

As duas superpotências assinam um comunicado conjunto. O enviado especial de Pequim, Xie Zenhua: "Queremos colaborar com os Estados Unidos para enfrentar uma emergência que põe em risco a nossa própria existência". O enviado de Biden, John Kerry: "Existem diferenças entre nós, mas em relação ao clima devemos agir na mesma direção”.

A reportagem é de Luca Fraioli, publicada por La Repubblica, 10-11-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Às seis da tarde, a reviravolta. O negociador-chefe chinês na COP26 em Glasgow aparece na entrevista coletiva e anuncia uma declaração conjunta China-Estados Unidos, finalizada algumas horas antes. Que os dois gigantes estivessem trabalhando juntos, ficou claro desde o início da manhã, quando circulou o primeiro esboço do acordo, um esboço que parecia escrito especificamente para atender aos pedidos de Pequim, começando com a neutralidade de carbono a ser alcançada até a metade do século e não necessariamente em 2050.

Xie Zenhua anunciou um acordo com os Estados Unidos para transformar esta Conferência do Clima em um sucesso. O passo crucial é o respeito dos acordos de Paris com a fórmula fortemente defendida dos chineses: "...manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais e buscar limitar o aumento da temperatura para 1,5°C em comparação com os níveis pré-industriais". O chefe da delegação de Pequim falou em cortes de emissões até 2030 "em conformidade com os acordos de Paris, em conformidade com as características dos diferentes países". Mas o acordo também prevê progressos nas finanças (ajuda aos países em desenvolvimento, criação de um mercado único global dos créditos de carbono, até um plano chinês de combate ao desmatamento e outro de redução das emissões de metano “como aquele já anunciado pelos Estados Unidos").

O próprio Xie Zenhua anunciou que depois dele falaria John Kerry, o enviado especial para o clima da Casa Branca. E anunciou que no primeiro semestre de 2022 haverá o primeiro encontro dos dois grupos de trabalho estadunidense e chinês sobre o clima. "A cooperação é a única escolha possível. Queremos continuar trabalhando com os Estados Unidos para enfrentar uma emergência que coloca em risco a nossa própria existência”. "Tanto nós quanto os Estados Unidos agiremos em conjunto e com as outras partes para fazer da COP26 um sucesso. Nós precisamos pensar grande e ser responsáveis".

Pouco menos de uma hora depois, John Kerry sobe ao palco: "As duas maiores economias do mundo para limitar o aquecimento do planeta na década que estamos vivendo. Precisamos agir agora". Kerry insistiu no metano, um gás de efeito estufa 80 vezes mais poderoso que o CO2: "Pequim se comprometeu a apresentar um plano para reduzir suas emissões de metano na próxima COP27". Não escondeu as diferenças entre os dois países: “Existem e vão continuar, mas sobre o clima, é a palavra da ciência, temos de agir juntos e na mesma direção”.

 

Leia mais