Principal diplomata vaticano afirma que questões ambientais oferecem oportunidade de diálogo com a China

Foto: UK in Holy See | Flickr cc

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Outubro 2021

 

O mais importante diplomata vaticano afirma que o ambiente é uma questão que ajuda no diálogo entre a Santa Sé e a República Popular da China.

A reportagem é de Charles Collins, publicada em Crux, 04-10-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No dia 4 de outubro, o Vaticano sediou um encontro de líderes religiosos mundiais que lançou um apelo para a comunidade internacional se comprometer a alcançar as emissões de carbono zero o mais rápido possível durante a próxima cúpula ambiental da ONU programada para ocorrer no mês que vem em Glasgow.

Entre as tradições religiosas envolvidas no encontro, estava o confucionismo, o principal sistema religioso-filosófico associado ao povo chinês.

Em declarações à BBC Radio 4 no domingo, o arcebispo Paul Gallagher disse que o ambiente é um tema que o Vaticano vê como uma oportunidade para dialogar com a China.

“Estamos empenhados em falar e em dialogar com qualquer pessoa que estiver disposta a falar conosco”, disse Gallagher, que atua como secretário para as Relações com os Estados do Vaticano, respondendo a uma pergunta específica sobre as relações entre o Vaticano e a China.

“De certa forma, esta é uma oportunidade para compartilhar algo que, se você quiser, não é uma teologia explicitamente pura sobre a qual podemos discordar muito, mas um desafio comum à humanidade, que podemos abordar de uma forma religiosa e teológica, mas o que temos em comum possivelmente é muito maior do que as coisas que nos dividem”, disse.

Durante seu pontificado, o Papa Francisco tem cortejado a China continental, principalmente ao assinar um acordo provisório com Pequim sobre a nomeação de bispos em 2018.

No entanto, o regime comunista recentemente reprimiu as pessoas religiosas no país e seguiu uma política de “sinicização religiosa” a fim de tornar as comunidades religiosas mais “chinesas”.

Apesar desses desafios, várias autoridades vaticanas disseram que negociar com Pequim é mais produtivo em longo prazo do que o confronto.

Gallagher também falou à BBC sobre o tema mais amplo do papel das comunidades de fé na proteção do mundo natural.

“O fato é que a natureza, o mundo, o ambiente é um dom para nós. Não é algo que devemos destruir ou dominar de forma negativa”, disse ele.

“A nossa casa comum, como o Papa Francisco a chama, é algo que nos é dado para o nosso enriquecimento – e para nos sustentar, sim –, um ambiente no qual possamos crescer espiritual e humanamente, mas não é algo que devemos abusar. É algo que devemos valorizar e cuidar”, disse o arcebispo.

“É algo do qual você não pode fugir, que vem de dentro da sua alma. Acho que é aí – com base na fé e na convicção – que as pessoas encontrarão a força e a coragem para fazer as mudanças nas suas próprias vidas, nas vidas das nossas sociedades e países, desde os pequeninos que dizem: ‘O que posso fazer?’ até às pessoas que obviamente estão contribuindo muito para a poluição ou cujas atividades estão destruindo os oceanos”, acrescentou.

Finalmente, quando pressionado sobre a viagem papal, há muito comentada mas não confirmada, a Glasgow para participar da cúpula da COP-26, Gallagher hesitou em afirmar se Francisco efetivamente comparecerá.

“Isso está muito acima da minha alçada, infelizmente. Há uma possibilidade, mas não foi feito nenhum anúncio oficial.”

 

Leia mais