Mensagem do Patriarca Bartolomeu para o Dia de Oração pela Criação

Imagem: Patriarca Bartolomeu à direita do Papa Francisco | Foto: Vatican Media

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01 Setembro 2021

 

 

"A Santa e Grande Igreja de Cristo promove com ênfase a indivisibilidade da proteção do ambiente natural e da assistência filantrópica ao próximo. Tanto o comportamento amigável pelo ambiente como o reconhecimento da sacralidade da pessoa humana são uma "liturgia depois da liturgia", dimensões vitais da realidade eucarística da Igreja. A vida da Igreja é respeito tangível pela criação e lugar e modo da cultura da pessoa e da solidariedade”, escreve o Patriarca Bartolomeu, por ocasião do Dia de Oração pelo Cuidado da Criação, 31-08-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a mensagem. 

 

Honrados irmãos e amados filhos no Senhor,

A Festa da Proclamação, dia oficial de orações pelo meio ambiente, mais uma vez este ano encontra a humanidade frente a frente com intensos fenômenos atmosféricos devido às progressivas mudanças climáticas, inundações catastróficas e incêndios em todo o planeta, bem como com a pandemia do coronavírus e suas consequências sociais e econômicas.

O fato de que as medidas restritivas nos movimentos e a imposição de limites à produção biomecânica tenham levado à redução das emissões de substâncias poluentes e gases, também representou uma lição significativa sobre a concatenação de cada coisa no mundo e sobre a interpenetração recíproca de todas as dimensões da vida. Mais uma vez se revelou o fato de que as iniciativas ecológicas do Patriarcado Ecumênico, que constituem uma extensão da teologia e da tradição litúrgica da Igreja, caminham juntas com as constatações da ciência e com a exortação dos especialistas de uma mobilização multilateral para a proteção da integridade do ambiente natural.

Oramos pela rápida superação das consequências da crise sanitária e para a iluminação do alto dos governantes de todo o mundo, para que não retornem ou persistam no economismo, naqueles princípios de organização da vida econômica, de produção e de consumo e de exploração exaustiva dos recursos naturais existentes antes da pandemia. Um sincero voto de nossa Modéstia é também o fim da divulgação de opiniões pseudocientíficas sobre a suposta periculosidade das vacinas contra o coronavírus Covid-19, da difamação dos especialistas e da subestimação não equilibrada da gravidade da doença. Infelizmente, teses semelhantes também estão se difundindo sobre as mudanças climáticas, suas causas e consequências funestas. A realidade é completamente diferente, diante da qual se exige sentido de responsabilidade, colaboração, cooperação e um sonho comum.

É inconcebível ser inertes, cientes dos grandes desafios comuns atuais para o gênero humano. A indiferença para com nossos semelhantes que sofrem e para com a destruição da “tão bela” criação é um ultraje a Deus e uma inobservância dos seus mandamentos. Onde há respeito pela criação e amor tangível pelo homem "amado por Deus", Deus está presente.

Depois do Santo e Grande Concílio (Creta 2016), o Patriarcado Ecumênico, de acordo com seu espírito e suas decisões, designou uma comissão oficial de teólogos para preparar um texto sobre as consequências sociais de nossa fé e sobre a missão social e o testemunho da Igreja Ortodoxa no mundo contemporâneo. Nesse texto, aprovado pelo nosso Santo e Sagrado Sínodo para publicação, que leva o título “Pela vida do mundo. Em direção a um ethos social da Igreja Ortodoxa", é adequadamente enfatizado o que segue: "E a Igreja encoraja os fiéis a serem gratos e a aceitar as descobertas das ciências, mesmo aquelas que poderiam ocasionalmente obrigá-los a revisar sua compreensão da história e do âmbito da realidade cósmica. O desejo do conhecimento científico brota da mesma fonte que o desejo da fé, para entrar cada vez mais profundamente no mistério de Deus”. (§ 71)

A Santa e Grande Igreja de Cristo promove com ênfase a indivisibilidade da proteção do ambiente natural e da assistência filantrópica ao próximo. Tanto o comportamento amigável pelo ambiente como o reconhecimento da sacralidade da pessoa humana são uma "liturgia depois da liturgia", dimensões vitais da realidade eucarística da Igreja. A vida da Igreja é respeito tangível pela criação e lugar e modo da cultura da pessoa e da solidariedade.

Honrados irmãos e filhos amadíssimos,

Neste difícil período, tomar iniciativas para delimitar a pandemia constitui um dever pastoral fundamental para a Igreja. Uma injunção ética categórica é também o apoio ao acesso geral à vacinação contra o coronavírus, primeiramente para os povos mais pobres, segundo a palavra do Senhor: “tudo o que fizestes a apenas um destes meus irmãos menores, o fizestes a mim” (Mt 25,40). Devemos amar-nos uns aos outros "como também Cristo nos amou" (Ef 5,2) e devemos nos distinguir como "sacerdotes" da criação, protegendo-a e cuidando dela com diligência e afeto, lembrando este dom precioso da Graça Divina como agradecimento ao Criador de todas as coisas.

Em conclusão, desejamos de todo o coração a todos vós um bendito, saudável, novo ano eclesiástico com bons frutos e invocamos sobre vós, com a mediação da Virgem de Pammacharistos, a graça e a misericórdia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a ele a glória e o poder para todo o sempre. Amém!

Fanar, 1º de setembro de 2021

O Patriarca de Constantinopla

Fervoroso intercessor junto a Deus por todos vocês.

 

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