Quando congregações limitam a liberdade de pregação

Velha igreja evangélica em Hingham, Massachusetts. | Foto: Timothy Valentine - CC

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18 Junho 2021

 

 

O escritor e pesquisador Thom S. Rainer foi consultado por igreja evangélica dos Estados Unidos com o pedido de verificar por quais motivos ela enfrentava uma grande rotatividade de pastores. Em nove anos, essa igreja teve seis pastores, assim que nenhum deles chegou ao terceiro ano de sacerdócio. A igreja queria saber o que tinha de errado com os ministros da palavra de Deus.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

Embora não existam duas igrejas iguais, Rainer detectou cinco padrões de comportamento nas igrejas com alta rotatividade de pastores. E o problema, apontou, não está nos pastores, mas nas congregações, que acham que a culpa é dos ministros. A igreja que pediu o parecer nem mesmo considerou que perder seis pastores em nove anos poderia apontar para problemas da congregação.

Em comentário ao The Christian Post, Rainer explicou que muitas igrejas veem o pastor como um trabalhador contratado pelos fiéis. “Muitos membros da igreja dizem ao pastor o que fazer”, arrolou o pesquisador. “Fico com nojo quando ouço um membro da igreja dizer: ‘Nós pagamos os salários e as contas por aqui’”, agregou.

Nessas igrejas, via de regra, opera um grupo que retém o poder. Se o pastor desafiar esse poder, mesmo baseado em princípios bíblicos, no evangelho, ele se dará mal. Esses grupos entendem a congregação como um clube, onde “os membros têm suas preferência e desejos atendidos”.

Os que se entendem como donos da congregação fortalecem suas tradições e metodologias, e se recusam a delas desistir. Rainer citou o caso de uma dessas igrejas que ficou sem espaço para acolher grupos comunitários. Embora ocupasse apenas uma décima parte de um salão do centro paroquial, que teria, com a desocupação do restante do espaço, lugar para cinco novos cômodos, o grupo recusou-se a abrir mão do canto dele.

Não é muito diferente a situação de pastores/as de igrejas que sejam congregacionais, que são confrontados/as diante do “mandonismo” de membros, quando o evangelho, segundo o seu entendimento, deve ficar restrito à sacristia, sem aterrissar na realidade de miséria, medo, fome, injustiça presentes na sociedade brasileira.

No sistema congregacional são as comunidades que elegem os/as pastores/as. Não raro, nas entrevistas dos candidatos e candidatas, diretorias alertam com veemência que não admitem o envolvimento de seus “funcionários/as” em questões sócio-políticas. É um aviso que interfere na liberdade de pregação.

As Sagradas Escrituras narram que em Israel havia dois tipos de profetas: os pregadores de arrependimento e juízo, que eram perseguidos e difamados; e os palacianos, anunciadores do que as autoridades queriam ouvir. Esses eram bajulados e admirados. Os casos, tanto lá pelas bandas do Norte, como pelas bandas do Sul, indicam que em termos de profecia os comportamentos não mudaram.

Dificilmente pastor ou pastora na condição de “funcionário/a” da congregação falará abertamente de suas condições de trabalho. Daí o silêncio, muitas vezes sofrido, de ministros/as que temem ser mandados/as embora, se ousarem pregar justiça social.

 

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