Por uma imprensa a serviço da justiça e da verdade. Uma denúncia contra O Popular

Foto: Aaron Burden | Unsplash

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18 Março 2021

 

"Concretamente, no caso em questão, por que o autor desse escrito não tinha o direito de desmascarar um Secretário de Segurança Pública que despejou de suas moradias (numa hora e 45 minutos) 14 mil pessoas - entre as quais, muitas crianças e idosos - como se fossem ”lixo”?" escreve Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP) e professor aposentado de Filosofia da UFG.

 

Eis o artigo.

O fato que vou narrar agora - entre outros - mostra claramente que O Popular (Goiânia - GO) é um Jornal que está a serviço dos interesses dos poderosos (como, infelizmente, a maioria dos Jornais).

No dia 13 de fevereiro passado enviei o seguinte e-mail ao editor de O Popular, Fabricio Cardoso: “Não sei se será possível, mas tomo a liberdade de fazer um pedido. Como eu vivi muito de perto - sofrendo com o povo - o caso do Parque Oeste Industrial, gostaria muito que O Popular publicasse o meu artigo “Jônathas Silva esqueceu um ‘detalhe’: o despejo da Ocupação ‘Sonho Real’”, em resposta ao artigo de auto-exaltação do professor Jônathas Silva (à época Secretário de Segurança Pública de Goiás) “Não à politicagem” (O Popular, 03/02/21, p. 3) e em memória dos 16 anos do despejo (acontecido no dia 16 de fevereiro de 2005).

No dia 15, Fabricio respondeu: “Ficamos agradecidos pela disposição em publicar conosco, dando um testemunho pessoal em nossas páginas. O único ponto é o tamanho do artigo, que deve ser de 2,6 mil toques com espaço. O seu está com 3,5 mil. Podemos editar, mas é de bom tom oferecer essa possibilidade ao autor”.

Atendendo à exigência do Jornal, enviei novamente o artigo com tamanho reduzido e pedi que - se houvesse necessidade de reduzi-lo mais ainda - me comunicasse. No mesmo dia Fabricio respondeu: “Não se preocupe. Estourou um tantinho, mas está na margem do ajustável”. Fiquei contente, certo de que O Popular publicaria o meu artigo.

No dia seguinte (16), tive uma surpresa que me deixou profundamente indignado. Sem a minha autorização, o artigo foi publicado como “carta ao leitor” com o título trocado e com mais alguns cortes no texto. Sempre no mesmo dia - diante da minha indignação - Fabrício pediu desculpa por não me ter avisado antes e me deu a seguinte justificativa: “No grupo de editores surgiu um argumento de que do seu texto derivariam pedidos de respostas reiterados, com réplicas e tréplicas. No esforço de preservarmos a pluralidade de temas nos artigos (que ‘pluralidade’ é essa!), encaminhamos a solução pela seção de cartas”.

Ora, eu pergunto: Por que os defensores e bajuladores dos poderosos - esteios do sistema capitalista neoliberal dominante - têm direito a “pedidos de respostas reiterados, com réplicas e tréplicas” e os porta-vozes dos excluídos/as e descartados/as (que nunca têm voz e nem vez) desse sistema iníquo não podem ter o mesmo direito?

Concretamente, no caso em questão, por que o autor desse escrito não tinha o direito de desmascarar um Secretário de Segurança Pública que despejou de suas moradias (numa hora e 45 minutos) 14 mil pessoas - entre as quais, muitas crianças e idosos - como se fossem ”lixo”?

A minha indignação foi tanta que, num primeiro momento, pensei em mover uma ação judicial contra o Jornal O Popular, que - do ponto de vista legal - não tinha o direito de transformar o artigo numa “cartinha”, trocando o título e fazendo cortes no texto sem a minha autorização.

Depois de refletir melhor, sabendo que uma ação judicial exigiria de minha parte bastante tempo (que não tenho) e sabendo - também e sobretudo - que as redes sociais têm hoje um alcance muito maior que o Jornal, optei por escrever esse artigo de denúncia, divulgando-o em nível nacional.

Termino com um testemunho: como ser humano e cristão, compartilhar a experiência de vida dos irmãos e irmãs da Ocupação “Sonho Real” - verdadeiros heróis e heroínas na defesa do direito à moradia digna - me edificou muito, e me fortaleceu no desejo de estar sempre ao lado e do lado dos excluídos/as e descartados/as, na construção de um Brasil Novo e de um Mundo Novo.

Lutemos por uma imprensa a serviço da Justiça e da Verdade!

Por fim, quero dizer que a minha denúncia é contra O Popular e seus responsáveis, e não contra os/as jornalistas, que também são trabalhadores/as.

 

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