Papa Francisco: a desigualdade entre pessoas e nações aumentou a pobreza

Foto: cassimano | Flickr CC

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

13 Novembro 2019

"O aumento dos níveis de pobreza em escala global mostra que a desigualdade prevalece sobre uma integração harmoniosa de pessoas e nações". Isso foi ressaltado pelo Papa Francisco em uma passagem do discurso que dirigiu aos membros do Conselho para um Capitalismo inclusivo, denunciando o fato que um sistema econômico "desprovido de preocupações éticas" leva a "uma cultura ‘descartável’ dos consumo e dos desperdícios”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Stampa, 11-11-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

O ente recebido pelo Pontífice argentino nasceu do fórum Fortune-Time Global que Jorge Mario Bergoglio recebeu em 2016, desejando desde então "modelos econômicos mais inclusivos e equitativos que permitam a cada pessoa ter parte dos recursos deste mundo e ser capaz de realizar as próprias potencialidades".

É necessário, disse o papa hoje, superar "uma economia de exclusão e a redução do fosso que separa a maior parte das pessoas da prosperidade de que usufruem poucos. O aumento dos níveis de pobreza em escala global - observou Francisco - testemunha que a desigualdade prevalece sobre uma integração harmoniosa de pessoas e nações. Um sistema econômico justo e confiável, capaz de responder aos desafios mais radicais que a humanidade e o planeta estão enfrentando, é necessário e urgente".

Para o Papa, "um olhar para a história recente, em particular a crise financeira de 2008, mostra que um sistema econômico saudável não pode se basear em lucros de curto prazo às custas de investimentos produtivos, sustentáveis e socialmente responsáveis em longo prazo. É verdade - continuou ele citando a sua encíclica Laudato si' - que a atividade empreendedora é uma vocação nobre, orientada a produzir riquezas e melhorar o mundo para todos, e pode ser uma maneira muito proveitosa de promover a região em que coloca as suas atividades, especialmente se entender que a criação de empregos é uma parte essencial de seu serviço ao bem comum".

"No entanto, como recordou São Paulo VI", na encíclica Populorum Progressio, "O desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento econômico. Para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo. Isso significa muito mais do que equilibrar orçamentos, melhorar as infraestruturas ou oferecer uma variedade maior de bens de consumo. Envolve, antes, uma renovação, uma purificação e um fortalecimento de válidos modelos econômicos, baseados em nossa conversão pessoal e generosidade para com os necessitados”.

"Um sistema econômico desprovido de preocupações éticas não leva a uma ordem social mais justa, mas leva a uma cultura ‘descartável’ dos consumo e dos desperdícios", disse o papa ao Conselho para um Capitalismo inclusivo acompanhado pelo cardeal Peter Turkson, presidente do Departamento de Desenvolvimento Humano Integral. "Pelo contrário, quando reconhecemos a dimensão moral da vida econômica, que é um dos muitos aspectos da doutrina social católica que deve ser plenamente respeitada, temos condições de agir com caridade fraterna, desejando, buscando e protegendo o bem dos outros e seu desenvolvimento integral".

Por fim, "não se trata simplesmente de ‘ter mais’, mas de ‘ser mais”. O que é necessário é uma profunda renovação de corações e mentes, para que a pessoa humana possa sempre ser posta no centro da vida social, cultural e econômica". Um "capitalismo inclusivo, que não deixe ninguém para trás, que não descarte nenhum de nossos irmãos e irmãs", para o Papa, "é uma aspiração nobre, digna de vossos melhores esforços".

Leia mais