Duas experiências-chave

Fonte: Rembrandt

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Abril 2020

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 24,13-35 que corresponde ao Terceiro Domingo da Páscoa, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto.

Ao longo dos anos, nas comunidades cristãs, foi-se colocando espontaneamente um problema muito real. Pedro, Maria Madalena e os outros discípulos tinham vivido experiências muito «especiais» de encontro com Jesus vivo após a Sua morte. Experiências que os levaram a «crer» em Jesus ressuscitado. Mas os que se aproximaram mais tarde do grupo de seguidores, como podiam despertar e alimentar essa mesma fé?

Este é também hoje o nosso problema. Nós não vivemos o encontro com o Ressuscitado que viveram os primeiros discípulos. Com que experiências podemos contar? Isso é o que é suscitado pelo relato dos discípulos de Emaús.

Os dois caminham para suas casas, tristes e desolados. A sua fé em Jesus apagou-se. Já não esperam nada Dele. Tudo foi uma ilusão. Jesus, que os segue sem se fazer notar, alcança-os e caminha com eles. Lucas expõe assim a situação: «Jesus começou a caminhar com eles, mas os seus olhos não eram capazes de reconhecê-Lo». Que podem fazer para experimentar sua presença viva junto deles?

O importante é que estes discípulos não esqueçam Jesus; «conversam e discutem» sobre Ele; recordam suas «palavras» e seus «atos» de grande profeta; deixam que aquele desconhecido lhes vá explicando o que aconteceu. Seus olhos não se abrem imediatamente, mas «seus corações começam a arder».

É a primeira coisa que necessitamos nas nossas comunidades: recordar Jesus, aprofundar a sua mensagem e na sua atuação, meditar na Sua crucificação... Se, em algum momento, Jesus nos comove, suas palavras nos alcançam por dentro e o nosso coração começa a arder, é sinal de que nossa fé está despertando.

Não é suficiente. Segundo Lucas, é necessária a experiência da ceia eucarística. Embora ainda não saibam quem ele é, os dois caminhantes sentem necessidade de estar com Jesus. Faz-lhes bem sua companhia. Não querem que os deixe: «Fica conosco». Lucas enfatiza com alegria: «Jesus veio para ficar com eles». No jantar, eles abrem os olhos.

Estas são as duas experiências-chave: sentir que o nosso coração arde ao recordar sua mensagem, sua atuação e toda sua vida; sentir que, ao celebrar a Eucaristia, sua pessoa nos alimenta, nos fortalece e nos conforta. Assim, cresce na igreja a fé no ressuscitado.

 

 

Leia mais