A solidão do emérito Ratzinger, que censura seus partidários

Papa Bento XVI, em Glasgow, 2010. Foto: Manzur | http://www.thepapalvisit.org.uk/

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25 Setembro 2018

Transmitem a imagem tenra, mas firme de um homem de 91 anos, consciente de carregar sobre si o peso de uma decisão que fez história. Um homem, portanto, sozinho do ponto de vista mundano, ou seja, do mundo.

A reportagem é de Fabrizio D'Esposito, publicada por Il Fatto Quotidiano, 24-09-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Estamos falando de Bento XVI, o Papa emérito depois da renúncia ao pontificado de 2013. Na semana passada, a revista alemã Bild publicou duas cartas de Ratzinger endereçadas àquele que antigamente era indicando como um dos seus melhores amigos: o cardeal Walter Brandmüller, um dos quatro autores dos Dubia sobre as aberturas aos divorciados da Amoris Laetitia di Francisco. As cartas datam de 9 e 23 de novembro de 2017, e são duas respostas ratzingerianas para as pesadas objeções do amigo cardeal - os dois são alemães – a respeito da "renúncia" do pontificado na temporada dos corvos do Vatileaks número um.

Na primeira, Bento enquadra o problema no sentido histórico e canônico e, especialmente, censura todos os opositores de Bergoglio que enxergam no emérito a maior barreira para o curso reformista de Francisco. A esse respeito, Ratzinger é de uma simplicidade desprovida de ambiguidade: "Com o Papa emérito tentei criar uma situação em que eu fosse absolutamente inacessível para os meios de comunicação e em que fosse totalmente claro que existe apenas um Papa".

Mas o que mais chama à atenção são os tons da segunda carta a Brandmüller, onde o emérito se contrapõe "à dor" que se tornou "raiva" do amigo cardeal pela clamorosa renúncia ao trono de Pedro. O trecho da carta merece uma leitura completa: "Eu posso perfeitamente entender a dor profunda que você e muitos outros sentiram com o fim do meu pontificado, mas a dor, assim me parece, em alguns, e mesmo em você tornou-se uma raiva que não diz respeito mais somente à renúncia, mas também se estende cada vez mais à minha pessoa e ao meu pontificado como um todo. Dessa forma, o próprio pontificado foi desvalorizado e confundido com a tristeza sobre a situação da Igreja hoje".

Vários saudosistas da direita clerical e fariseia consideram a última frase como mais uma crítica a Francisco. Pelo contrário, em primeiro lugar, o emérito denuncia de forma veemente a "raiva" que se tornou uma "forma de agitação" dos opositores de Bergoglio.

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