O que levou 10 mil pessoas às ruas de Correntina (BA)?

Protesto em Correntina | Foto: CPT

Mais Lidos

  • Para o sociólogo, o cenário eleitoral é moldado por um eleitorado exausto, onde o medo e o afeto superam os projetos de nação, enquanto a religiosidade redesenha o mapa do poder

    Brasil, um país suspenso entre a memória do caos e a paralisia das escolhas cansadas. Entrevista especial com Paulo Baía

    LER MAIS
  • A nova missão do mundo católico diante da trajetória do trumpismo. Artigo de Stefano Zamagni

    LER MAIS
  • Forças progressistas buscam novo impulso global em Barcelona

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

17 Novembro 2017

Insurgência, é um filme que proporciona um mergulho de 5 minutos na manifestação do dia 11 de novembro de 2017 contra a omissão do poder público diante da exploração de água pelo agronegócio no oeste baiano.

O comentário é de André Monteiro, da Fiocruz/Recife, publicado por EcoDebate, 16-11-2017.

Em meio às palavras de ordem e cartazes em defesa do Rio e das águas, uma grito transborda: “não somos terroristas”. Uma reação à forma como a grande mídia repercutiu o ato da semana anterior que destruiu equipamentos de captação de água e irrigação de 2 fazendas na região. Para os manifestantes não há mais tempo para esperar o Estado agir.

Desde a década de 70 violações e crimes do agronegócio vem sendo denunciados. Em 2000, populares desativaram um canal que pretendia desviar as águas do mesmo rio Arrojado. Manifestações religiosas, como o canto fúnebre das “Alimentadeiras de Alma”, passaram a ser realizadas para denunciar a morte de nascentes. E romarias com milhares de pessoas vêm sendo feitas protesto contra a destruição dos Cerrados. Em 2015 um grande ato com 6 mil pessoas tentou impedir a outorga de água para as 2 fazendas que foram alvo dos protestos recentes. Mas a população foi totalmente ignorada pelo órgão ambiental da Bahia que autorizou a exploração de 183 mil metros cúbicos/dia.

Este volume de água retirada equivale a mais de 106 milhões de litros diários, suficientes para abastecer por dia mais de 6,6 mil cisternas domésticas de 16.000 litros na região do Semiárido. Agrava-se a situação ao se considerar a crise hídrica do rio São Francisco, quando neste momento a barragem de Sobradinho, considerada o “coração artificial” do Rio, encontra-se com o volume útil de 2,84 %. A água consumida pela população de Correntina aproximadamente 3 milhões de litros por dia, equivale a apenas 2,8% da vazão retirada pela referida fazenda do rio Arrojado.

Não há ciência no mundo que possa estimar um valor monetário para o rio Arrojado, e isso o povo de Correntina parece compreender bem e não ficará para história como população conformada ou cúmplice de crimes e violações dessa gravidade.

 

Leia mais