Padres 'casados' para a Amazônia?

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17 Outubro 2017

Os problemas sociais e eclesiais da região Pan-Amazônica - o pulmão do mundo, com floresta tropical de 5,5 milhões de quilômetros quadrados - será objeto, daqui a dois anos, de uma Assembleia especial, em Roma, do Sínodo dos bispos. O anúncio foi feito neste domingo pelo Papa, confirmando rumores da Cúria, que alguns meses atrás já abordamos nestas páginas.

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada por Trentino, 16-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

A Amazônia é dividida entre nove países - Brasil, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, mas pertence principalmente aos três primeiros. Apesar das diferenças entre os Estados, existem algumas constantes que caracterizam a região: do ponto de vista social, inteiras populações são forçadas a deixar as terras onde viveram durante séculos para das espaço a companhias multinacionais que, para explorar as florestas ou abrir minas, por bem ou por mal, desalojam os antigos habitantes; e, do ponto de vista eclesial, naquelas terras - isoladas ou de difícil acesso - existem comunidades que vêem um padre apenas uma ou duas vezes por ano. Apresentando o próximo Sínodo "especial" (ou seja, dedicado a uma região particular do mundo), Francisco explicou: "O principal objetivo desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente os indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, em parte por causa da crise da floresta amazônica, pulmão de capital importância para o nosso planeta".

A co-existência entre povos muito antigos e as tecnologias moderníssimas dos novos patrões dá origem a complexas questões sociais e culturais; e, do lado religioso, os "primeiros povos" amazônicos têm as suas crenças e, quando católicos, custam a aceitar uma fé que, na época dos colonizadores espanhóis e portugueses, foi muitas vezes imposta com imensa violência e que, de qualquer forma, foi oferecida "em embalagem europeia", raramente levando em conta as cosmologias dos indígenas.

Nesse contexto insere-se o problema dos presbíteros: para os "primeiros povos" é inconcebível um líder religioso - um padre, no caso - celibatário; para eles apenas um pai que saiba muito bem administrar a sua família pode ser eleito líder de uma comunidade de famílias, e, portanto, também de uma paróquia. Além disso, desde sempre as igrejas orientais, incluindo a católica, têm também um clero uxorado. Como auspiciado por monsenhor Erwin Kräutler (bispo emérito do Xingu, praticamente uma diocese da Amazônia brasileira, mais extensa que a Itália, e onde ele contava apenas com trinta sacerdotes), no próximo Sínodo irá surgir, portanto, a questão dos "viri uxorati": homens maduros, casados, a serem ordenados padres. Será, talvez, o início do fim do celibato obrigatório dos padres na Igreja latina: a princípio, apenas na Amazônia e, depois, pouco a pouco, também em terras europeias tradicionalmente cristãs, onde os seminários estão cada vez mais vazio, porque muitos jovens, que gostariam de dedicar a sua vida à Igreja, não têm a intenção de fazê-lo sozinho, mas com uma companheira.


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