Dois jesuítas apresentam visões contrastantes sobre a revogação das diretrizes de proteção a jovens transgêneros

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02 Março 2017

Bispos dos EUA, como George Murry, S.J., aplaudiram a decisão do governo Trump de revogar as diretrizes federais de proteção a alunos transexuais. Em contraste, o Padre James Martin, S.J. criticou os que se opõem aos direitos transexuais. Mas qual desses caminhos dos padres jesuítas será que os católicos vão tomar caso a lei de direitos LGBT seja revogada?

A reportagem é de Robert Shine, publicada por Bondings 2.0, 25-02-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Em uma carta conjunta, o arcebispo Charles Chaput, da OFM Cap., da Filadélfia, e o bispo George Murry, S.J. de Youngstown, em suas respectivas capacidades como presidentes da Comissão para o Laicado, Casamento, Vida Familiar e Juventude e da Comissão da Educação Católica da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, agradeceram a Trump por revogar uma instrução federal com diretrizes para a proteção de alunos transexuais, emitida durante o governo Obama.

Descrevendo a decisão do governo Trump, o jornal The New York Times escreveu que "autoridades dos direitos civis do Departamento de Justiça e do Departamento de Educação se opunham à posição do governo Obama", que tinha expandido as proteções à discriminação de gênero nas escolas públicas aos jovens trans. Essas proteções permitiam que alunos trans usassem espaços separados por sexo, como banheiros e vestiários, de acordo com seu gênero e que a escola respeitasse seu uso de nome e pronome.

Quando a norma foi emitida em maio do ano passado, o bispo Richard Malone, de Buffalo, e o arcebispo George Lucas, de Omaha, fizeram uma declaração em que a consideravam "profundamente perturbadora". Em outros lugares, grupos católicos processaram o Departamento de Saúde e Serviços Humanos no ano passado para impedir a implementação de políticas de saúde não discriminatórias semelhantes às diretrizes da educação.

Mas o posicionamento do Padre James Martin, S.J., é diferente da de seu colega Jesuíta, bispo Murry. Em um série de tweets em 22 de fevereiro, quando a mudança foi anunciada, Martin criticou indiretamente a decisão, apoiando os jovens transgêneros. Martin disse:

• Estudantes #trans já passam por tanta falta de dignidade. Eles deveriam poder usar o banheiro que quiserem. Não faz mal a ninguém.

• Fico triste que #estudantes trans não possam escolher que banheiro vão usar. Uma necessidade básica. É uma afronta à sua dignidade como seres humanos.

• E quem se prejudica por um #estudante trans usar um certo banheiro? Já vi mulheres usando o banheiro masculino quando o feminino estava cheio. Faz mal a alguém?

• Como sempre, quem sofre é quem está à margem, quem é visto como o "outro", visto como "aqueles lá".

• Mas, para Jesus, não há o "outro". Não há "aqueles lá". Só existe "nós". Portanto, temos de ser a favor da abertura, da aceitação e da inclusão. #trans

O Padre Martin, que recebeu o prêmio Bridge-Building Award, do New Ways Ministry, em outubro do ano passado, também postou mensagens semelhantes no Facebook. Em maio do ano passado, quando o governo Obama implementou a norma agora revogada, Martin, em uma entrevista, disse que respeitar as pessoas trans era "muito simples".

Outro padre jesuíta e teólogo, o Padre Gilles Mongeau, S.J., recentemente defendeu um projeto de lei sobre direitos transexuais no Canadá.

A ação dos Padres Martin e Mongeau está alinhada com as exortações de teólogos de que a Igreja deve fornecer o cuidado pastoral para as pessoas trans e promover a sua integralidade humana, sem tratá-las com pena. O Padre Bryan Massingale escreveu de forma comovente sobre por que a igreja não pode abandonar os transgêneros. (Nota: o Padre Massingale fará uma palestra no 8º Simpósio Nacional do New Ways Ministry, "Justiça e Misericórdia se beijam: católicos LGBT na Era do Papa Francisco", em abril deste ano. Para mais informações, visite www.symposium2017.org).

Apoiar as pessoas trans condiz com a doutrina da Igreja: muitos fiéis já o fazem, especialmente fora dos EUA. Na verdade, nações historicamente católicas lideraram a expansão dos direitos das pessoas trans e intersex: Malta promulgou o que é considerado o padrão ouro de leis de identidade de gênero na Europa e segundo a Associated Press a Argentina tem "as leis mais abrangentes do mundo", permitindo que crianças a partir dos 6 anos de idade tenham documentos oficiais de acordo com a sua identidade de gênero. Na Índia, a agência de desenvolvimento dos bispos lançou um programa para as pessoas trans e católicos ajudaram a abrir a primeira escola do país que apoia jovens trans.

Falando sobre esperança em uma recente audiência, o Papa Francisco disse que a esperança dada a nós por Deus "não nos separa dos outros, nem nos leva a não acreditar neles ou marginalizá-los". Com um governo federal liderado por políticos com uma longa história de hostilidade aos direitos LGBT, tornou-se mais urgente do que nunca que os católicos recusem o caminho da exclusão e da discriminação do Bispo Murry e, em vez disso, escolham o caminho de compaixão e inclusão de Martin.

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