Bispos suíços criam fundos para casos de abuso sexual prescritos

Bispos suíços reunidos em cerimônia penitencial pelas vítimas de abuso sexual clerical | Foto: Conferências dos Bispos da Suíça

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15 Dezembro 2016

A Conferência dos Bispos da Suíça criou um fundo indenizatório especial para as vítimas de abuso sexual clerical cujos casos prescreveram.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por National Catholic Reporter, 13-12-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa

As vítimas que foram abusadas anos atrás e cujos casos, segundo o direito estatal e o direito eclesiástico, estão prescritos são particularmente preocupantes para os bispos suíços, disse Dom Charles Morerod à imprensa no último dia 5 em Sião, Suíça.

“Por muito tempo, a Igreja fez vista grossa a estas vítimas que se encontram em situações particularmente difíceis e que não receberam nenhum tipo de indenização”, disse Morerod, presidente da Conferência dos Bispos do país. A Conferência decidiu criar um fundo para aquelas vítimas que não têm mais o direito de buscar uma reparação judicial.

Os bispos dispuseram uma soma inicial de 500 mil francos suíços (493 mil dólares) para o fundo especial. Todas as dioceses suíças, a União dos Superiores Maiores Religiosos da Suíça e outras organizações católicas no país estão contribuindo para o fundo. Ainda segundo Morerod, também foi criada uma comissão independente para decidir sobre a quantidade de indenização que cada vítima deverá receber.

Muitos dos casos registrados datam da década de 1950. Mesmo assim, os bispos suíços e superiores religiosos disseram que era positivo ouvir cada relato de abuso sexual cometido pelo clero ou funcionários da Igreja. Eles pediram às vítimas que continuem a denunciar tais casos à justiça, pois merecem justiça mesmo se o abuso tenha ocorrido muito tempo atrás.

Antes da coletiva de imprensa, todos os 11 membros da conferência episcopal, representantes do superiores gerais e uma delegação das vítimas reuniram-se na Basílica de Valère, em Sião, para uma cerimônia penitencial. A basílica do século XII, situada sobre uma colina, tem sido um lugar de peregrinação “para a qual as pessoas trazem seus fardos e suas lutas há séculos”, disse Morerod.

Morerod falou ainda uma “tolerância zero” e uma “transparência completa” estão sendo exigidas quando se trata de abusos sexuais na Igreja. O prelado agradeceu ao público por pressionar a Igreja no tocante ao tema.

Uma das vítimas presentes na cerimônia, uma mulher na casa dos 50 anos, se apresentou e relatou sua história de vida. Seu pai era um padre e ela acabou tendo quatro irmãos, todos com mães diferentes. Os bispos e superiores religiosos juntaram-se a ela dizendo: “Rezemos para que o abuso sexual clerical jamais possa ser varrido para baixo do tapete, minimizado ou relativizado”.

Em seguida, os bispos se ajoelharam e, liderados por Morerod, rezaram: “Um pecado grave cometido por membros da Igreja, mas facilitado por certos padrões de comportamento e pensamento na Igreja, veio à luz. O pecado possui vários níveis: o ato abusivo, o silêncio cúmplice e a falha em prestar auxílio às vítimas. Sentimo-nos responsáveis e agradecemos as vítimas por abrir nossos olhos”.

Pela terceira vez, em 2014, a Conferência dos Bispos da Suíça atualizou as suas orientações contra abusos sexuais. Estas agora incluem grupos religiosos e atividades que não estavam anteriormente sob a responsabilidade das dioceses. Os novos funcionários da Igreja precisam se submeter a uma checagem do histórico criminal. As novas diretrizes também visam garantir uma maior transparência quando os padres são movidos de uma diocese para outra.

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