Família e gays na Igreja será confronto no Sínodo

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01 Junho 2015

Terceiro mundo contra o Ocidente. No Sínodo de outono se enfrentarão duas visões diversas sobre a família, visto que esta realidade reflete as grandes transformações em andamento. É difícil imaginar o epílogo. Em parte porque os bispos africanos e asiáticos estão fazendo bloqueio comum, não compartilhando das análises dos episcopados dos EUA, da Alemanha, Suíça, Bélgica, Holanda, Áustria, onde a família é variegada, com núcleos de geometrias variáveis. Divórcios, filhos de primeiro, segundo, terceiro casamento, núcleos de gays que se ocupam das próprias crianças (adotados ou nascidos fora da própria realidade) como qualquer outro progenitor. Aquilo que outrora era anômalo, hoje na Europa é a norma. Para a Igreja um enigma, para o Papa Francisco um problema. Por isso se está procurando uma mediação e a frase do cardeal Parolin é lida nesta ótica. De 28 a 31 de maio, em Moçambique, os episcopados africanos se confrontarão com o Conselho da Conferência da Europa (CCEE). Em agenda os desafios antropológicos, sociais e eclesiais.

O texto é de Francesca Giansoldati, publicado no jornal Il Messaggero, 28-02-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

A partir do comunicado final se entenderá se a rachadura é insanável. É dos tempos dos Digo que a Igreja abriu espaço aos direitos dos casais gay, propondo modificar o Código, mas sem igualá-lo ao matrimônio. Agora o discurso se desloca para o plano eclesial e pastoral. As respostas aos questionários, enviados pela Santa Sé aos episcopados para recolher as opiniões em vista do Sínodo, confirmam o que já era evidente: diversas Igrejas do Norte esperam por uma mudança doutrina e não só pastoral. Não se trata somente da comunhão aos divorciados novamente casados, mas também dos casais gay. Porta-voz do mal-estar dos africanos é o cardeal Sarah, da Guiné. “Eu estou entre aqueles que não permitirão que a pastoral substitua a doutrina”.