Justin Welby: Inteligência artificial e terapia genética poderiam dar aos super-ricos mais poderes ainda

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27 Janeiro 2015

A ascensão dos robôs e da terapia genética poderiam permitir a uma minúscula elite últrarrica acumular cada vez mais poder enquanto quase todos os demais ficam mais pobres, disse o arcebispo anglicano de Canterbury durante uma palestra em Wall Street.

A reportagem é de John Bingham, publicada pela The Telegrah, 23-01-2015. A tradução de Isaque Gomes Correa.

O Reverendíssimo Justin Welby apresentou uma visão sombria, distópica de um futuro em que um número crescente de pessoas vive numa “sentença perpétua à pobreza” enquanto que outros agem como se tivessem um “direito divino à riqueza”.

Ele também fez uma defesa impenitente de seus comentários recentes sobre a desigualdade no Reino Unido, que enfureceram a ala conservadora da sociedade e levaram a declarações segundo as quais os arcebispos deveriam se focar na religião, não na política.

O arcebispo, ex-executivo municipal da indústria do petróleo, disse que a Bíblia é ambivalente a respeito da riqueza em si, mas que é “absolutamente clara” em sua condenação da desigualdade desenfreada.

Permitir que a lacuna entre ricos e pobres se amplie indefinidamente e sem controle leva, em última instância, ao abuso e à corrupção, disse.

Ele acrescentou que uma passagem na Bíblia, o Magnificat – ou a Canção de Maria –, é tão “revolucionária” que ele ficou surpreso com o fato de que ela, a passagem, não foi proibida como “antiamericana” durante a era McCarthy.

Estes comentários foram feitos durante um congresso na igreja Trinity Wall Street, em Nova York, onde se discutiu a ideia do “bem comum”.

Numa fala sobre se a desigualdade “importa”, Welby sustentou que uma mensagem de igualdade básica pode ser traçada na Bíblia desde o Jardim do Éden até os relatos neotestamentários dos primórdios da Igreja.

Disse que, embora a riqueza seja vista, em algumas partes da Bíblia, como uma bênção, em outras ela está ligada à corrupção. Acrescentou que, no geral, não havia “nenhum direito a ser rico”.

O arcebispo anglicano declarou ainda que algumas pessoas rotularam certas passagens do Livro dos Atos – que falam sobre a riqueza sendo partilhada entre os primeiros cristãos – como “comunistas”, mas disse que isto não é verdadeiro porque a propriedade comum na Bíblia era voluntária, não obrigatória.

Referindo-se ao futuro nos próximos 40 anos, ele falou: “Numa era em que veremos o crescimento de tecnologias como a inteligência artificial e as terapias genéticas, economistas como Lawrence Summers preveem o crescimento das desigualdades entre a pequena minoria que pode maximizar os benefícios das novas tecnologias e a grande maioria que irá ver apenas estagnação em seus rendimentos.

“Enfrentamos o desafio de uma sociedade na qual a desigualdade na educação, na saúde ou nas oportunidades continuará sendo uma sentença perpétua à pobreza. E este é exatamente o desafio sobre os qual os profetas se preocupavam”.

No ano passado, o economista Summers escreveu que as consequências devastadoras de robôs e tecnologias como impressão 3D substituindo os trabalhadores humanos se tornariam no “principal assunto” em economia e política nos próximos anos.

O arcebispo disse: “O entendimento teológico é que a riqueza está sempre em perigo de corromper os seus possuidores na maioria dos casos, e que os corruptos se tornem demasiado poderosos”.

E continuou: “Mas há uma injunção bíblica contra a acumulação sistemática e indefinida das sociedades grandemente desiguais. Isto sempre conduz ao abuso, mesmo se cada pessoa rica for generosa, pois as assimetrias de poder significam que a alocação da riqueza se torna uma questão de paternalismo, e não uma questão básica de justiça”.