Declaração vaticana acusa políticos poloneses de criarem medo contra muçulmanos

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25 Julho 2016

Enquanto a Polônia se prepara para receber o Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude, uma declaração vaticana denunciou um "medo artificialmente criado contra os muçulmanos" no país, que, afirma-se, está sendo alimentado por alguns partidos políticos.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada na revista The Tablet, 23-07-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O problema, diz-se, deriva do fato de que a Polônia é "etnicamente homogênea", o que significa que, para muitos poloneses, a imigração é algo novo e visto como estranho por muitos.

O comunicado de imprensa, escrito por um porta-voz da Conferência Episcopal da Itália, mas distribuído pela Sala de Imprensa da Santa Sé, diz que os temores têm sido exacerbados pela falta de debate público, por procedimentos de migração complicados e pela inexistência de um programa público para ensinar as pessoas sobre diversidade.

"Infelizmente, esses temores são alimentados por alguns partidos políticos e por declarações inapropriadas feitas por políticos", escreve o Pe. Pawel Rytel-Andrianik. "Há um medo artificialmente criado contra os muçulmanos, compreensível, na verdade, em alguns aspectos (ataques terroristas). A Polônia faz fronteira com a Alemanha, que tem uma grande população muçulmana, e, na fronteira, não são realizadas algumas verificações regulares."

A declaração continua elogiando a generosidade da Igreja polonesa ao acolher refugiados do Oriente Médio e do norte da África, incluindo a coleta de 1,2 milhão de euros para ajudar e auxiliar 3.000 migrantes por ano. Ela acrescenta que os bispos poloneses fizeram um apelo para ajudar os refugiados um dia antes que o papa fizesse o seu chamado no dia 6 de setembro para que cada paróquia e casa religiosa acolhesse uma família migrante.

O comunicado de imprensa será lido como uma tentativa de minimizar as tensões entre a hierarquia polonesa e Francisco, que fez da acolhida aos migrantes uma parte fundamental do seu pontificado e pediu que os líderes europeus encontrassem formas melhores para integrar os recém-chegados ao continente.

Os bispos da Polônia são próximos do partido que dirige o país, Lei e Justiça, um governo que se recusou a aceitar a sua quota de migrantes da União Europeia – as tensões em torno da questão aumentaram no país, com incidentes em que os requerentes de asilo foram atacados.