Obras no Rio não são planejadas para a população

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22 Abril 2016

'Acidentes assim revelam as contradições entre os interesses das pessoas e de grupos econômicos no planejamento de obras', afirma Orlando Alves dos Santos Júnior, doutor em Planejamento Regional pela UFRJ, integrante do Observatório das Metrópoles, em artigo publicado por O Estado de S. Paulo, 21-04-2016.

Eis o artigo.

Mesmo durante os preparativos para a Copa do Mundo, o que notamos é que há uma tendência a se questionar prazos e erros de projetos de obras quando há algum tipo de acidente, como este da ciclovia. Esse questionamento coloca o foco na discussão sobre falhas de planejamento e pressões para cumprimento de prazos, obscurecendo na verdade outro tipo de problema que deveria estar no centro das discussões.

As obras públicas para os grandes eventos no Rio foram pensadas muito mais para atender aos interesses de grandes grupos econômicos, que têm objetivo de obter lucro com os Jogos. O que observamos é uma articulação entre a prefeitura e esses grupos, submetendo os investimentos públicos aos interesses desse segmento, não pensando, de fato, na população.

É claro que não se deve minimizar as mortes, a perda dessas vidas, nem as óbvias falhas de engenharia, mas acidentes assim revelam as contradições entre os interesses das pessoas e desses grupos econômicos no planejamento de obras. Muitas vezes, eles podem resultar em opções que não levam em conta os interesses dos moradores da cidade.

Um exemplo disso é o BRT, onde também já houve acidentes com mortes. Esse projeto, tão propagado, já nasceu obsoleto, uma lata de sardinha que as pessoas que moram na periferia têm de usar para ir trabalhar.

A despoluição da Baia de Guanabara, outro exemplo, ficou em segundo plano diante dessas obras mais lucrativas. Houve ainda remoções de muitas famílias de baixa renda que favoreceram donos de terras.

A sanha para atender a esses interesses é tanta que, eventualmente, acaba atingindo até a população das regiões que se beneficiaram dessas escolhas. Não é o prazo da obra que causa esse tipo de acidente. É a falta de uma discussão abrangente com toda a cidade e de transparência por parte da prefeitura.