Cardeal Raymond Leo Burke: “O Eros não é o mal, mas não deve jamais estar em contraste com a procriação”

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12 Abril 2016

Amoris laetitia não tem o objetivo de mudar a pastoral da Igreja no referente àqueles que vivem numa união irregular, mas de aplicar fielmente a pastoral constante da Igreja, como expressão fiel da pastoral do próprio Cristo, no contexto da cultura hodierna”. O cardeal Raymond Leo Burke, canonista estadunidense, autor de A santa Eucaristia sacramento de Caridade (Cantagalli), afirma que “a única chave correta para interpretar Amoris laetitia seja ‘a constante doutrina e disciplina da Igreja no referente ao matrimônio’”.

A entrevista é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 09-04-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis a entrevista.

O Papa Francisco recorda “Evangelii gaudium”, que diz que a comunhão não é um prêmio para os perfeitos. Como interpreta esta frase?

A comunhão não é um prêmio para os perfeitos no sentido de que nenhum homem é digno do dom da vida própria de Deus Filho encarnado oferecido no sacrifício eucarístico. Por esta razão, antes de receber a comunhão rezamos: “Ó Senhor, não sou digno de participar de tua mesa: mas dize somente uma palavra e eu serei salvo”. Mas, ao mesmo tempo, como também exprime a prece, para aceder à comunhão devemos estar retamente dispostos, isto é, arrependidos e absolvidos dos nossos pecados com a resolução de não pecar mais. Devemos estar na via de perfeição, como o próprio Senhor nos ensina no Discurso sobre a Montanha: “Vós, pois, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai Celeste”.

Francisco recorda que o sexo não é um mal, mas um dom de Deus. O que pensa a respeito?

“É claro que o sexo é um dom de Deus, como o próprio Deus revela no Livro do Gênesis. O sexo é integrado à nossa identidade pessoal O mal nos atos sexuais vem do coração do homem que não respeita a sua própria natureza, mas utiliza o dom do sexo num modo que contradiz a boa e justa ordem da criação. O Senhor nos ensina isto no Evangelho segundo Mateus”. Schönborn disse que a doutrina sempre tem sido renovada na Igreja. Citou João Paulo II que ligou o amor entre homem e mulher à imagem de Deus.

Você é defensor do rito antigo e crítico com as novidades do Concílio. Não considera a sua visão filha de uma Igreja apavorada e que vê no mundo sempre e somente um inimigo?

Não faço comentário sobre a afirmação do cardeal Schönborn, que merece uma resposta acurada e profunda, mas respondo à sua pergunta. Eu fiz todos os meus estudos teológicos com base nos ensinamentos do Concílio e me refiro aos textos do Concílio. O que eu critico não é o ensinamento do Concílio, mas a manipulação daquele ensinamento para avançar ideias e propostas, segundo o assim chamado “Espírito do Concílio”, que não têm nada a ver com o ensinamento do Concílio e com frequência o contradizem. Como é que a Igreja poderia estar apavorada quando é o Corpo Místico de Cristo que é somente a nossa salvação? A Igreja não vê o mundo como inimigo. De fato, a Igreja deve trabalhar dia após dia para servir o mundo, transformando-o segundo o desígnio eterno de Deus e assim servindo o bem comum, a paz no mundo que é fruto da justiça. O Inimigo é o secularismo, a visão mundana do mundo que exclui Deus e de fato é hostil a Ele e ao Seu desígnio”.

O Sínodo tem sido descrito como um momento de confronto entre duas almas da Igreja. Você foi por mais vezes inserido entre os assim ditos conservadores e antagonistas às reformas. Sente-se como tal?

Refuto ser classificado como membro de um partido na Igreja. Gostaria de ser somente um bom católico, um fiel sacerdote. Com todos os meus defeitos, sempre procurei avançar a verdadeira reforma da Igreja, segundo o magistério. Há, de fato, uma perspectiva mundana, que entrou na Igreja, que quer dividir os bispos, sacerdotes e leigos em campos políticos. A verdadeira perspectiva se encontra no Evangelho, quando o Senhor nos declara: “Eu sou a videira, vós os ramos”, ou na analogia inspirada na Igreja como Corpo místico de Cristo, proposta por São Paulo.