Estes são aqueles que querem 'caçar' a Francisco... sistematicamente e sem piedade

Mais Lidos

  • De Rerum Novarum a Leão XIV: não era o vapor, mas a ética; não são os dados, mas a dignidade. O que vale não é mensurável. Artigo de Paolo Benanti

    LER MAIS
  • Deus Trindade: circularidade-encontro-amor. Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • Juventude e novas direitas, para além dos estereótipos e dos extremos. Entrevista com Beatriz Besen

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

19 Janeiro 2016

“Eles estão à espreita. Como os caçadores desprezados. Levam três anos sem cobrar a peça e já atiram sem parar, em tudo o que se move. Incluindo o Papa. Especialmente o Papa Francisco. Os 'caçadores eclesiásticos' são os talibãs de sempre (bispos, sacerdotes e leigos), os que, durante anos, espalharam cartilhas de catolicismo para eleitos, de doutrina íntegra e princípios não-negociáveis”, escreve José Manuel Vidal, em artigo publicado por Religión Digital, 17-01-2016. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.

Eis o artigo.

Os bispos-caçadores viveram como príncipes e não concordam que o Papa os deixe em evidência. Os sacerdotes são alguns dos quais, sem muito mérito ou zelo pastoral, aproveitaram a situação para se colocarem cada vez mais acima nas fileiras clericais. E agora eles não querem perder degraus.

E os leigos são seus auxiliadores, leigos clericalizados e ideologizados. Aqueles que converteram a fé na doutrina e deixaram de lado o Evangelho. Os que disparam, já sem nenhum disfarce, desde seus pequenos mas numerosos terminais de mídia.

Cardeais de todos conhecidos (Burke, Sodano, Re, Bertone, Ruini... e assim por diante). E entre nós, Rouco e os bispos de sua corda e linha, como Demetrio, Munilla ou Reig. Para falar apenas do trio de tenores episcopal mais imprudente do solo nativo. Os três bispos que cada vez que abrem a boca baixa o grau de credibilidade eclesial.

Também abundam os sacerdotes ‘trabucaires’, diocesanos e dos movimentos neoconservadores. Os que congelaram o Conselho e se esqueceram de tomar as ruas. Aqueles que enterraram a parábola do bom samaritano na gaveta do esquecimento e limitaram o seguimento Jesus ao Catecismo e ao Código de Direito Canônico.

Nos últimos tempos destaca-se como caçador experiente o antigo correspondente religioso de ABC e fundador dos Franciscanos de Maria, o padre Santiago Martín. Desde Roma e através de gravações em vídeo lança “discursos” contra a “confusão” criada pelo Papa Francisco na Igreja, e adverte que os católicos fetén estão desertando para ir a Roma e que Bergoglio dilui a sagrada doutrina católica no sincretismo, com o último vídeo recém-lançado sobre o diálogo inter-religioso.

Bispos e sacerdotes são apoiados, na Espanha, por uma série de leigos ultramontanos, que são aqueles que sempre mostram seus rostos, através dos seus terminais de internet: são os infovaticanos e os infocatólicos de todas as peles e condições que atacam, direta e indiretamente, contra tudo o que vem de Roma. Contra tudo o que sai da boca ou da caneta do Papa Francisco.

Eles, tão papistas outrora, agora rasgam as suas vestes e acusam o Papa argentino de todos os males da Igreja. Os atuais e os que estão por vir. Em um primeiro momento, eles atiravam a pedra e escondiam a mão. Agora já não se escondem e jogam suas pedras abertamente. Venha ou não venha à mente. Eles tornaram o Papa em um fantoche pim-pam-pum e gostam de jogar com ele todos os dias. Lançando nele todos os tipos de projéteis: pedrinhas, pedras, pedregulhos e pedradas.

O slogan é dar ‘combustível para o macaco’ por mais Papa que seja. Para tentar desacreditá-lo (que tolos!) e para que desista de sua “revolução tranquila”, da sua reforma evangélica. Para que deixe de pregar o evangelho dos pobres. Para que se assuste e desista. E, se não o fizer (que não o faça e nem o fará!), o mínimo que lhe desejam é que lhe tirem aquilo que lhes foi tirado (como João Paulo I), disse o Bispo de Ferrara, monsenhor Negri.

Apenas anseiam que o pontificado de Francisco seja uma tempestade de verão, um pesadelo de passagem. E que as águas eclesiais voltem ao normal, para eles, à da Igreja “aduana”, fortaleza assediada por inimigos dentro e fora. Mais de dentro (nos chamam colunistas de quinta) do que fora. Porque já se sabe que não há nenhum calço pior do que o da mesma madeira.

E é que, como diz Andrea Tornielli, o autor do livro entrevista com o Papa ‘O nome de Deus é misericórdia’, “quando as críticas não são sinceras, mas feitas com base no prejuízo, quando se tornam sistemáticas, até mesmo ridículas, por sua insistência e sua inconsistência, eventualmente, elas se voltam contra os que as fazem”.

Cegos pela fé que se transformou em ideologia não veem a primavera. E eles não são capazes de entender que Francisco é um presente de Deus para o mundo e para a Igreja. Cegos, não encontram a primavera, apesar de tê-la diante de seus olhos. E não querem aceitar que ninguém pode parar a primavera na primavera.