Gregos voltam às ruas para protestar contra a austeridade

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16 Novembro 2015

Manifestantes e a polícia entraram em confronto no centro de Atenas nesta quinta-feira, 12, durante uma greve geral na Grécia, a primeira desde que o governo de esquerda liderado pelo partido Syriza chegou ao poder em janeiro. A população protestava contra os cortes de gastos e uma nova rodada de impostos implementados pelo pacote de austeridade para que o país possa receber as parcelas do pacote de ajuda financeira de três anos, no valor de € 86 bilhões, de outros países da Europa.

A reportagem foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo, 12-11-2015.

Atualmente, o governo está com uma parcela de € 2 bilhões bloqueada, bem como € 10 bilhões reservados para a recapitalização dos seus bancos, uma vez que algumas das medidas requisitadas pelos credores, para a liberação de novos empréstimos, não foram implementadas. Alguns manifestantes jogaram coquetéis molotov contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral.

Cerca de 25 mil pessoas participaram em três manifestações separadas no centro de Atenas, de acordo com dados da polícia. Outras 10 mil pessoas protestaram na segunda maior cidade do país, Thessaloniki.

Transtornos

A greve geral de 24 horas causou transtornos generalizados em toda a Grécia, com a paralisação dos serviços públicos. O metrô e as balsas ficaram fechados, enquanto o número de ônibus nas ruas foi reduzido. Alguns voos também foram cancelados. Os museus, escolas e farmácias fecharam, enquanto os hospitais funcionavam apenas com a emergência.

Os confrontos dispersaram os manifestantes, mas a calma logo voltou. Os embates entre polícia e manifestantes não chegaram a atingir o nível de violência observado nos protestos do ano passado. 

Desemprego

A taxa de desemprego na Grécia caiu de 24,9% em julho (dado revisado) para 24,6% em agosto, informou ontem a agência nacional de estatísticas do país. Apesar da queda, porém, a taxa representa um patamar muito alto na comparação com o restante da União Europeia. Em agosto de 2014, o desemprego estava em 26,2% na Grécia, segundo o Serviço Helênico de Estatísticas.

Em números absolutos, quase 1,2 milhão de gregos estavam sem emprego em agosto, com a população inativa – aqueles que estão sem trabalho e não estão buscando emprego, em geral porque não veem perspectiva de conseguir – representando 3,3 milhões.

Os membros mais jovens da força de trabalho do país são os que mais sofrem com a condições ruins do mercado de trabalho. Entre aqueles com idade entre 15 e 24 anos, 47,9% estão desempregados.