Pasolini presente

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Novembro 2015

Na semana em que se completam 40 anos do brutal assassinato de Pier Paolo Pasolini (1922 1975), ocorrido exatamente no dia 2 de novembro, entram em cartaz uma cinebiografia dirigida pelo americano Abel Ferrara e a cópia restaurada do clássico Mamma Roma há sessão de pré-estreia amanhã.

A reportagem é de Marcelo Perrone, publicada por Zero Hora, 02-11-2015. 

Apresentada por Ferrara no Festival de Veneza de 2014, a cinebiografia Pasolini ilumina o último dia de vida do autor de obras como O Evangelho Segundo São Mateus e Teorema. Não é um projeto com ambição de dar conta da trajetória de um intelectual que canalizou no cinema seu espírito libertário e sua erudição – graduado em literatura, foi professor, jornalista e ergueu reputação como escritor, poeta e dramaturgo. Homossexual assumido e comunista militante, Pasolini virava pelo avesso em seus filmes temas como política, história, sexo e religião. Vivia em confronto com as esferas conservadoras da Itália.

O ator americano Willem Dafoe encarna Pasolini com competência física e dramatúrgica. A trama começa com o diretor dando os ajustes finais em seu filme derradeiro, o provocador Saló ou 120 Dias de Sodoma, apresentado dias após sua morte. De volta a Roma, Pasolini passa suas últimas horas de vida convivendo com a família, planejando um próximo longa (inserido na trama com uma alegoria orgiástica) e pescando um jovem michê nas ruas. É na companhia do rapaz que Pasolini é atacado por uma gangue que o espanca até a morte e o atropela com seu próprio carro.

Essa versão escolhida por Ferrara para a morte do diretor foi revelada em 2005 pelo garoto de programa preso à época como réu confesso. Na reviravolta do caso, ele disse ter assumido a culpa por temer a vingança dos verdadeiros algozes. Amigos e familiares acreditam na possibilidade de crime encomendado por gente poderosa descontente com as transgressões de Pasolini em sua vida e em seu cinema.

Mamma Roma em cartaz

O projeto Clássica traz de volta aos cinemas na quinta-feira, com cópia restaurada e projeção digital de alta performance, um dos títulos mais importantes de Pasolini. Em Mamma Roma (1962), Anna Magnani, grande diva do neorrealismo, vive a personagem-título, uma prostituta que busca recomeçar a vida como vendedora de frutas. Seu filho adolescente, porém, deixa-se levar pela criminalidade que os cerca. Pasolini emoldura a saga de Mamma Roma evocando suas influências neorrealistas. Em tom de crítica política e social, espelha na protagonista o processo de transformação econômica da Itália após a II Guerra Mundial. Mamma Roma entra em cartaz nesta semana no Espaço Itaú. Há uma sessão de pré-estreia amanhã, às 19h40min, no Espaço Itaú 5.

Filmes para conhecer Pasolini

Teorema (1968) Chegada de um estranho convulsiona e transforma família burguesa.

- O Evangelho Segundo São Mateus (1964) Do nascimento à ressurreição, Jesus Cristo é representado como um líder revolucionário.

Decameron (1971) Primeiro filme da Trilogia da Vida, com episódios satíricos extraídos da obra de Boccaccio.

Pocilga (1969) Com histórias em tempos diferentes, aborda a degradação moral provocada pela sociedade de consumo.

- Desajuste Social (1961) Conhecido por seu título original, Accattone, nome do cafetão que explora prostitutas em Roma.