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Por: Cesar Sanson | 03 Novembro 2015

"O que seria, enfim, o fenômeno Lula? (...) atualizou a agenda getulista e remodelou a agenda rooseveltiana, mas também entorpeceu movimentos sociais, estatalizou a vida social, promoveu a conciliação de interesses". O comentário é de Rudá Ricci, sociólogo, em artigo publicado no seu portal, 26-10-2015.

Eis o artigo.

Fico impressionado como pessoas de 70 anos chegam inteiras nos dias atuais (evidentemente que não posso dizer que seja uma regra), muito distante do que se fixou na minha memória de infância. Gilberto Gil, FHC, Caetano, Chico, alguns que me impressionam.

Lula, é impossível refutar, é a maior referência política do Brasil. O modo como a oposição o escolhe diariamente como alvo é a prova cabal de sua importância. Em março, levantamento da Bites Radar indicou que Lula foi citado pelos manifestantes de direita 44 mil vezes durante o dia de protesto. Lula aparece à frente da intenção de votos na pesquisa do IBOPE, divulgada ontem. Com o ataque constante, e longe dos holofotes do Congresso ou dos gabinetes de governo, é relevante compreender o que é o fenômeno Lula.

Um amigo que respeito, que odeia Lula e apoia nitidamente o PSDB, chegou a publicar no Facebook que hoje não há o que comemorar. Quando alguém destaca o aniversário de outro como algo a não comemorar é porque este outro incomoda muito, mas muito mesmo.

O que seria, enfim, o fenômeno Lula?

Em primeiro lugar, aquele que fez a esquerda (meio frouxa, meio envergonhada, é verdade) chegar ao poder no Brasil. Mas não foi só isto: foi aquele que chegou ao poder pelo voto quatro vezes seguidas. Ninguém, de direita à esquerda, conseguiu tal feito em nosso país. Mais: atualizou a agenda getulista, que por si já é uma alegoria política tupiniquim, e remodelou a agenda rooseveltiana.

Sofreu um câncer que ninguém mais se recorda, justamente porque sua movimentação política é constante. Ele cria fatos.

A mesma dimensão de acertos deve ser creditada aos erros: entorpeceu movimentos sociais, estatalizou a vida social, promoveu a conciliação de interesses que vendeu a alma do PT.

Mas é um fenômeno.

E, como denota a ira dos oposicionistas em relação à sua figura, aos 70 anos, tem a importância política do Brasil.