14 Outubro 2015
"O papa vai decidir", explica o padre Federico Lombardi. Indissolubilidade das bodas, vocação ao matrimônio, incidência dos círculos menores. E poderá não haver um documento final. "Sobre a conclusão, ainda não há total clareza dentro do Sínodo", afirma o porta-voz da Santa Sé. "Veremos se o papa dará indicações claras. Sobre as votações, os círculos menores aprovam um 'modo' por maioria absoluta. Os 'modos' são depois submetidos ao trabalho da comissão. A maioria de dois terços existe apenas para o relatório final. Obviamente, se houver."
A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 10-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Durante a coletiva de imprensa cotidiana na Sala de Imprensa vaticana, o porta-voz vaticano descreve as intuições que surgiram a partir da discussão na Aula e ressalta que "a vida familiar deve ser vista como uma resposta a um chamado de Deus não inferior em relação ao sacerdócio, mas igualmente digna e importante diante de Deus".
O ponto sobre o dia de trabalhos da assembleia oferece a oportunidade para especificar o método seguido no debate em curso entre os 270 bispos e cardeais convocados ao Vaticano por Francisco. Foi solicitada uma avaliação das primeiras três semanas, e Lombardi observou que "o processo sinodal segue em frente, e todos estamos contentes com isso: encerramos com satisfação a meta da primeira semana de trabalho. No entanto, ainda não temos certeza de como irá ocorrer a conclusão, isto é, se haverá um documento final. Veremos se o papa dará indicações precisas".
Além disso, ele aproveitou a oportunidade para distinguir entre as intervenções livres e as propostas discutidas pelo Sínodo. "Não devem ser superestimadas as posições individuais e devem ser distinguidas dos temas discutidos pela assembleia", adverte o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.
Depois, na segunda-feira, falarão na coletiva de imprensa dois casais que participam do Sínodo. "São muitos os Padres que pediram para intervir sobre a terceira e última parte do Instrumentum laboris, que é a mais longa e articulada, e aborda temas muito esperados", explica Lombardi.
Entre as propostas que chegaram ao Sínodo ordinário na família, há também a de se preparar para os trabalhos dos próximos Sínodos universais com Sínodos continentais, que envolvam reuniões em nível regional. "A discussão sempre deve começar em nível local para se enraizar em nível universal", explica o cardeal Baselios Cleemis Thottunkal, presidente da Conferência Episcopal Indiana. "O fruto da cúpula poderia ser, desse modo, mais compreensível e concreto."
"É uma proposta, não um item da pauta do dia", especificou Lombardi. "A solução mais simples poderia ser a de começar a discutir em nível de Conferência Episcopal ou mesmo de diocese e, depois, chegar a falar a respeito em nível de Sínodo", propôs o Pe. Javier Alvarez-Ossorio, secretário-geral da Congregação dos Sagrados Corações.
Foi solicitado ao Sínodo um renovado esforço pastoral nos países onde existe a poligamia, para ajudar a "consolar a solidão da mulher que vive em uma situação de poligamia", especifica Lombardi, assinalando que se trata da indicação que chegou de um Padre sinodal que interveio no debate livre.
A acolhida às famílias feridas, a "missionariedade" da família, a indissolubilidade do matrimônio, mas também um início de discussão sobre a questão da comunhão aos divorciados recasados foram os temas discutidos na sexta-feira e no sábado, nos discursos de 75 Padres sinodais. Sobre a questão da comunhão aos divorciados recasados, Lombardi afirmou: "Houve apenas um início de debate, que vai continuar nos próximos dias". Acima de tudo, tratou-se de "intervenções que registraram diversos pareceres, às vezes compartilhados, às vezes nebulosos".