27 Agosto 2015
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Francini Lube (Fotos: Ricardo Machado/IHU) |
Frente uma plateia um tanto quanto diversificada, com estudantes das áreas de gestão, urbanismo, comunicação, entre outros, Francini falou sobre Democratização, sociabilidades e a vida nas metrópoles, durante sua conferência realizada na terça-feira, 25-08-2015, na sala Ignacio Ellacuría e Companheiros no Instituto Humanitas Unisinos – IHU. O evento integra a programação do 2º Ciclo de Estudos Metrópoles, Políticas Públicas e Tecnologias de Governo. Territórios, governamento da vida e o comum.
Comum
Dentro da complexidade em que as relações humanas são constituídas, uma chave de leitura que pode ajudar a compreender os desafios contemporâneos é a ideia do Comum. “É preciso pensar o Comum não como resultado, mas como premissa. Isso está relacionado a uma forma de vida que coloca em tensionamento um modelo democrático, que está expresso no Junho de 2013”, pondera a conferencista.
No princípio era o verbo
Para além de todo o debate teológico que o começo do Gênesis suscita, a questão de fundo desta afirmação é que os sujeitos (divinos ou terrenos) somente são capazes de serem constituídos enquanto linguagem. “Não existe possibilidade de ser humano fora da linguagem. Toda a nossa experiência depende do fato que nos relacionamos com outros humanos, temos que compartilhar um campo existencial, uma linguagem, formas de vida”, avalia.
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Estado de Exceção
Entretanto, apesar desta potência de libertação dos sistemas de controle do poder centralizado, como, por exemplo, a representatividade e o monopólio do uso legítimo da força, o Estado constitui dentro da própria constitucionalidade territórios de exceção à lei que ele mesmo impõe. “Nos locais marginalizados, o Estado suspende direitos civis elementares, tais como a liberdade, o direito de ir e vir, o direito à moradia etc, mesmo isto sendo um direito inalienável. Só que nossas metrópoles, ao contrário do que havia no começo do século XX, não possuem mais centro e periferia, porque há centros e periferias em todas as partes”, esclarece.
Saúde Pública
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"É preciso pensar o Comum não como resultado, mas como premissa" |
“A grande novidade histórica que vivemos, ainda que de modo marginal, é a afirmação de que temos o direito a conquistar novos direitos. Isto está diretamente ligado a manter a dinâmica de construção de novos direitos aberta”, retoma o início da palestra e conclui. “A possibilidade da experiência é determinada pela vivência concreta dos sujeitos em suas integralidades, na experiência física e emocional, permite com que possamos construir novas instituições e aprendizados sem incorporar cegamente determinados modelos”, finaliza Francini.
Francini Lube Guizardi
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