Laudato Si’. Uma encíclica antipolonesa?

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Por: André | 23 Junho 2015

Contra o carvão; logo, antipolonesa. É a primeira avaliação que a imprensa polonesa fez sobre a nova encíclica do Papa Francisco Laudato Si’, antes mesmo de sua publicação. Baseando-se nas primeiras indiscrições, o jornal de Varsóvia, Rzeczpospolita (República), expressou a preocupação com o fato de que “a Polônia poderia ter algumas dificuldades com o documento do Papa”. Porque Francisco, defendeu o jornal, “dá grande espaço à extração do carvão e à consequente degradação do meio ambiente”.

A reportagem é de Marek Lehnert e publicada por Vatican Insider, 20-06-2015. A tradução é de André Langer.

Também indicou que os países que produzem energia a partir do carvão contribuem para a emissão de CO2, razão pela qual “se chama a uma limitação”. Há quem considera a nova encíclica um documento “contra o carvão”, destaca o jornal polonês, e acrescentou que “no Vaticano circulam rumores de que se trata de uma encíclica antipolonesa”; pelo menos é o que disse “uma pessoa que teve acesso ao seu conteúdo”.

O Rzeczpospolita citou, além disso, alguns dados, a partir dos quais se deduz que a Polônia faz parte dos “20 maiores países que liberam uma maior quantidade de anidrido carbônico no ar”. Em um ano, foram 331,3 milhões de toneladas de CO2. Por isso, no pacote energético-climático aprovado no outono do ano passado em Bruxelas, a Polônia deveria comprometer-se a reduzir 40% as emissões até 2030. No entanto, como sustentam alguns especialistas, isso será impossível.

E também depois da publicação da encíclica a opinião de que era um texto “antipolonesa” manifestou-se com força. O núncio de Varsóvia, dom Celestino Migliore, devia garantir (em polonês) que o documento papal era “um grito pelo respeito a todos os trabalhadores, incluindo os mineiros”, que, segundo a opinião geral, seriam parte das categorias que Francisco condenaria à extinção em consequência do seu apelo para deixar de extrair carvão. “Li o texto inteiro e não notei nenhuma alusão contra os mineiros”, destacou, quase jurando, o diplomata pontifício.

Após a publicação da Laudato si’ quase todos os jornais decidiram publicar longas passagens do comentário que foi publicado na folha Político, impresso em Bruxelas pelo homônimo grupo estadunidense fundado em 2007 e que justamente nestes dias chegou à Europa graças à colaboração do editor alemão Axel Springer, que se ria zombeteiramente das primeiras reações polonesas. “O carvão e a Igreja católica são as duas instituições mais fortes na Polônia, que, graças ao Papa, se encontram em conflito... A mensagem que se deduz da encíclica, a de que o carvão deve ser substituído por outras fontes de energia, envergonha muito um país que conta com a maior produção de carvão do continente europeu, e, ao mesmo tempo, com a sociedade mais religiosa”, assinalou Político.

Enquanto isso, o Rzeczpospolita, que um dia antes da publicação falou sobre uma encíclica antipolonesa, depois de lê-la não conseguiu encontrar palavras positivas para o Papa argentino, pois indicou que, por exemplo, utiliza em seu documento “a retórica típica do Greenpeace e outras organizações cujo objetivo é a preservação do ambiente natural”, esquecendo que seus argumentos “não são verdades reveladas”. O jornal não exclui a possibilidade de que em um futuro não muito distante “o discurso dos ecologistas assumido por Francisco, ditado por uma moda radical ‘chique’, se revelará um falso alarme; e então?”.

O Rzeczpospolita não ocultou sua decepção com o fato de que o Sucessor de Pedro “se ocupe de problemas que para a Igreja são marginais”. “Os sofrimentos das pessoas, pelas quais ‘Deus morreu’, merecem maior atenção da Santa Sé do que os “gemidos da mãe Terra” de que fala a Laudato si’”.