Trabalhador rural sofre atentado no Maranhão

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19 Junho 2015

O camponês Francisco de Souza dos Santos, conhecido como Chiquinho, foi baleado com cinco tiros nesta tarde desta terça-feira (16). Chiquinho residia no Povoado Canafístula, Território de Campestre, município de Timbiras, Maranhão. Em decorrência dos tiros, Francisco quebrou o braço e teve várias escoriações pelo corpo. Ele foi transferido para hospital da região.

A reportagem foi publicada no portal da Comissão Pastoral da Terra - CPT, 16-06-2015. 

Francisco já vinha sofrendo ameaças de morte. 45 minutos antes do atentado, o advogado da CPT Maranhão, Diogo Cabral, havia recebido pedido para que o trabalhador fosse incluído no Programa de Proteção a Defensores dos Direitos Humanos.

O Boletim de Ocorrências foi feito e, segundo informações do advogado da CPT, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão já foi avisada da tentativa de assassinato.

Área em conflito

Nessa mesma área, há pouco mais de um ano, Raimundo Rodrigues da Silva, 42 anos, conhecido como Brechó, foi baleado e morto. Ele sofreu uma emboscada enquanto passava por uma estrada vicinal que liga a Comunidade Abundância ao município de Timbiras. Após ser internado em hospital da cidade, o lavrador foi novamente vítima de outra tentativa de execução. No dia 25 de fevereiro de 2014, após quatro dias internado em um hospital da região, Brechó não resistiu e morreu.

O líder camponês foi baleado em decorrência de um conflito de terras que se arrasta há anos na região. Durante toda a sua vida, Brechó lutou pela libertação do território Campestre, região grilada pelo latifúndio. Há décadas, o processo de desapropriação tramita sem nenhuma solução concreta para as mais de 300 famílias que vivem no local.

Em 2013, Brechó já havia sofrido ameaça de morte e uma tentativa de homicídio. Seu nome constava na relação de ameaçados de morte divulgada pela CPT. Raimundo também já estava ameaçado de morte por causa da luta pela regularização da Comunidade Campestre.

Na área, há forte atuação de madeireiros, que destroem o Cerrado na localidade, uma das poucas áreas preservadas da Região dos Cocais. As pessoas envolvidas no conflito contra a comunidade são criadores de gado, aliados ao latifúndio, que há anos causam prejuízo às famílias do território Campestre, como a destruição de suas roças e ameaças.