05 Fevereiro 2015
"As mulheres estão finalmente aprendendo a pedir ajuda, e os homens estão mais dispostos a dá-la." É uma mensagem de esperança que vem de Silvia Chanterelle, professora de educação especial em um colégio da Toscana, acostumada por função a se ocupar com a igualdade e a diferença.
A reportagem é de Paola Pica e Maria Silvia Sacchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 04-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
As suas palavras falam da transição que a Itália começou a viver. Mas não devemos baixar a guarda, já que os dados globais dizem como as mulheres ainda se movem em um quadro de igualdade formal, mas de desigualdade substancial. Que às vezes também é difícil de explicar, escondida nas dobras da vida cotidiana.
Abriu-se nessa quarta-feira a Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Cultura, desejada pelo cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do próprio Conselho, teólogo e hebraísta.
"Culturas femininas entre igualdade e diferença" é o título que une quatro dias de trabalho, desde a abertura pública no Teatro Argentina, nessa quarta-feira à tarde, até a audiência de encerramento, no sábado, com o Papa Francisco, no Palácio Apostólico.
Uma iniciativa coerente com os muitos sinais lançados por Francisco. Desde os seus primeiros passos como bispo de Roma, Bergoglio chamou a atenção para o papel da mulher dentro e fora da Igreja, anunciando precisamente a este jornal um caminho de "aprofundamento teologal".
O cardeal Ryłko, com o Conselho dos Leigos, havia dito que "está trabalhando nessa direção com muitas mulheres especialistas em vários matérias". Mais recentemente, Francisco voltou a desejar a presença das mulheres "nos lugares onde se decide" e indicou, dentre outras coisas, a via de uma paternidade e de uma maternidade responsáveis.
Maternidade e identidade são pontos-chave na reflexão sobre a condição feminina. Tanto que, sobre esses temas, estará focada, em setembro próximo, a segunda edição de Il Tempo delle Donne, os três dias de participação e de debate em Milão, organizados pelo blog La 27Ora, do Corriere della Sera .
E, das vozes das mulheres que escutamos diariamente, sobe clara e fortemente um pedido de "serenidade". Aquela serenidade que vem do fato de ser capaz de ser elas mesmas, sem ter que corresponder a modelos impostos. Em particular, sobre tornar-se ou não mães.
A equação desemprego-berço vazio nunca foi tão verdadeira quanto hoje. Mas mesmo quem tem trabalho e, portanto, é mais propensa a se tornar mãe deve, depois, fazer as contas com aquela disparidade substancial que faz com que um filho se torne um problema.
"A Itália é um país que dificulta o desejo de maternidade", diz Cristina, em uma das contribuições de vídeo reunidas em vista da Plenária. Podemos dizer que ela está errada?
São cerca de 800 mil (8,7%) as mães que, de acordo com o Istat, sofreram demissões em branco. As mulheres gostariam de ter ao menos dois filhos cada uma, mas, entre as milhares de dificuldades, tem apenas 1,3, uma das taxas mais baixas da Europa.
Assim como nos colocamos na parte inferior do ranking da União Europeia da taxa de ocupação (46,6% contra 60% da vizinha França). Por outro lado, a Itália investe em políticas para a família apenas 1,37% do PIB (2,2% da média da OCDE).
Tudo isso fala de um sistema que leva as mulheres a se ocuparem apenas do cuidado da família, virando-se entre pediatras e geriatras como nenhuma outra na Europa. Embora não faltem sinais positivos, como o aumento das mulheres na política e nas posições superiores.
Todas as análises possíveis foram feitas, assim como as propostas, por várias partes. A passagem principal continua sendo a cultural, com a promoção de uma efetiva paridade entre os gêneros e a forte condenação da ideia da mulher subalterna, ou, pior, "propriedade" do homem.
No plano concreto, é preciso incentivar o trabalho feminino que dá independência, dignidade à pessoa e, fato não secundário, reduz a pobreza das crianças. A afirmação também é do Banco Mundial: as mulheres investem na educação e na saúde dos filhos. A mudança é possível.