O presidente do Conselho da Igreja evangélica alemã convidaria o Papa às celebrações para o aniversário da Reforma protestante

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17 Dezembro 2014

O novo presidente do Conselho da EKD (Evangelische Kirche Deutschland), Heinrich Bedford-Strohm expressa o desejo de convidar o Papa Francisco à Alemanha por ocasião do jubileu da Reforma protestante. Considera que uma festa comum em Cristo em 2017 seja uma boa idéia.

A informação é publicada pelo jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, 15-12-2014. A tradução é de Benno Dischinger.

O novo presidente do Conselho da EKD (Evangelische Kirche Deutschland), Heinrich Bedford Strohm seria favorável a um convite do Papa Francisco ao jubileu da Reforma de 2017. “Como presidente do Conselho da EKD não expressarei sozinho tal convite. Mas considero uma boa idéia refletir sobre o sentido de uma festa comum em Cristo em 2017”, disse Bedford Strohm.

“A coisa deveria ser antes discutida a fundo e também combinada com os irmãos católicos na Alemanha”.

Bedford-Strohm reconhece que não há pressa para tal convite. “Nós não temos nenhuma pressa em referência ao jubileu da Reforma e à comemoração da Reforma”.

Usando ambas as expressões, Bedford-Strohm introduziu um novo modo de expressar-se da parte da Igreja evangélica, que até agora havia falado exclusivamente de “jubileu da Reforma”, enquanto a Igreja católica somente de “comemoração da Reforma”. “Uso expressamente ambos os conceitos, disse Bedford-Strohm.

“Com o primeiro expressamos a alegria pelo impulso dos reformadores. De resto, mudaram positivamente também a Igreja católica. Neste sentido também os católicos poderiam honrar a Reforma. Entrementes, as guerras de religião e as cisões entre as Igrejas tem sido dolorosas, por isso também nós como evangélicos podemos falar de comemoração”.

Seu pertencimento ao partido SPD não tem nenhuma influência sobre o seu trabalho. “Para o meu encargo é irrelevante”, disse Bedford Strohm. “Para mim seria importante que não se usassem sempre os óculos do político-partidário. Infelizmente me dou conta com frequência que nos comentários se exprimem categorias de partido político. E não posso fazer nada”, criticou. “A prioridade absoluta está para mim na Igreja”.

Bedford-Strohm, depois de Wolfgang Huber e Nikolaus Schneider já é o terceiro presidente do Conselho evangélico em dez anos, que tem a carteira do SPD. “Entrei no SPD já como estudante”, disse. “Para Wolfgang Huber, para Nikolaus Schneider e também para mim conta o fato que a nossa orientação é dada pela fé cristã”. Bedford Strohm não pensa que haja um estreito entrelaçamento entre social-democracia e EKD. “Não penso que a fé cristã seja correlata em particular a um partido”.

Imagina que também poderia haver um intercâmbio regular de idéias entre a Igreja e o partido de esquerda Linkspartei. Até agora a EKD não teve um diálogo regular com a Linkspartei, como ao invés o teve com outros partidos. “Oficialmente não há posições novas neste âmbito, mas pessoalmente penso que algo possa mover-se”, afirmou.

Bedford-Strohm expressou há tempo o desejo que haja uma renovação no interior do partido que é o sucessor da SED (o partido socialista unitário alemão). “A Linke [esquerda], na renovação da DDR, ainda tem muito a fazer”. O novo presidente dos ministros da Turíngia, Bodo Ramelov, da Linkspartei, disse, todavia querer renovar. “Considero que se lhe deva conceder uma chance. Pode-se aconselhar à Linke renovar profundamente em relação ao passado da SED. Somente assim pode superar tal passado”, afirmou Bedford-Strohm.

Criticou, além disso, o apoio dado pela “Alternative für Deutschland” (AfD) aos protestos de Pegida.

“Preocupa-me o fato que funcionários de AfD se solidarizem com os protestos de Pegida”, disse.

Fazer uma crítica geral ao Islã não é justo, visto que milhões de muçulmanos vivem pacificamente na Alemanha, advertiu Bedford-Strohm. O presidente do conselho da EKD criticou também o seu predecessor Nikolaus Schneider, que havia censurado a associações islâmicas alemãs uma falta de contraste com certas tradições violentas. “Não creio, de fato, que os cristãos devam apresentar-se como acusadores do Islã. Aqueles que insistem num Islã pacífico acabariam sendo desprezados e cairiam também eles no interior do Islã sob opressão. Não é, por certo, o nosso interesse.”

No que diz respeito à mudança climática, Bedford-Strohm pensa acima de tudo nas próximas gerações. É, portanto, a favor de uma mudança também às custas de não ter um balanço paritário, para poder por mais recursos à disposição para a defesa do clima. “Se fechar paritariamente as contas é uma coisa que se obtém à custa das futuras gerações, então não é de fato algo positivo”.

“As alterações climáticas requerem uma reestruturação ecológica de fundo da nossa economia”, disse Bedford Strohm. “A virada energética é correta, mas ainda insuficiente. Não seria uma política responsável a de transferir um problema essencial às futuras gerações, fazendo referência apenas aos custos atuais”, afirmou Bedford-Strohm.