ONU suspende ajuda alimentar a refugiados

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03 Dezembro 2014

O anúncio da Organização das Nações Unidas (ONU) de que será obrigada a suspender ajuda alimentar a mais de 1,7 milhão de refugiados sírios em países do Oriente Médio agravará o impacto trágico do mais letal conflito da história recente da região. Nos últimos três anos e quatro meses, Jordânia, Líbano, Turquia, Iraque e Egito receberam quase 7 milhões de fugitivos da matança na Síria.

A informação é de Luiz Antônio Araujo, publicada pelo jornal Zero Hora, 02-12-2014.

Em alguns casos, os refugiados experimentam o segundo ou terceiro exílio: é o caso dos palestinos que, depois de desfrutar de tratamento especialmente discriminatório do regime de Damasco durante décadas, são tangidos através da fronteira com o Líbano em busca de refúgio em campos como o de Shatila. Finalmente, multiplicam-se casos de famílias sírias que tentam chegar à Grécia ou à Bulgária em botes improvisados, engrossando as estatísticas que fizeram o papa Francisco clamar para que as autoridades não deixem a costa europeia se transformar num “grande cemitério”.

O efeito mais dramático do corte da ajuda da ONU, porém, está localizado nos países que fazem fronteira com a Síria. Nenhum deles atravessou incólume os últimos anos de guerras e revoluções. Segundo Suleiman Mourad, professor de história islâmica no Smith College, “atualmente, nenhum país árabe tem nenhuma medida real de estabilidade”. Além de desacreditar o trabalho da organização, a suspensão enfraquecerá a disposição desses países em acolher exilados sírios. Também tornará mais conveniente para esses regimes apostar em soluções militares e políticas capazes de sufocar com rapidez a revolta contra Bashar al-Assad.

Essa situação reforça a importância da proposta do Uruguai, a ser apresentada hoje e amanhã na reunião ministerial Cartagena + 20, em Brasília, de que mais países latino-americanos acolham refugiados da guerra no Oriente Médio. No Brasil, os sírios já são a maior comunidade de refugiados.