O “clã dos Romanones”: os algozes de Daniel

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Por: Jonas | 20 Novembro 2014

São uma dúzia, entre sacerdotes e leigos (10 e 2). São ultraconservadores de pensamento, ainda que com formas e práticas muito modernas. E são os prováveis abusadores e acobertadores do caso de abusos sexuais que o Papa Francisco ordenou que seja investigado na Arquidiocese de Granada, e cujo processo judicial está a ponto de se encerrar, com prisões. Em Granada, são conhecidos pelo nome de um de seus líderes. Fazem-se chamar “o clã dos Romanones”: são os algozes de Daniel.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 19-11-2014. A tradução é do Cepat.

Os sacerdotes não usam colarinho, possuem um alto nível econômico e dispõem de muitos bens, espalhados por Granada e a província, onde contam com diversas propriedades, inclusive com um duplex na praia. Em todos estes lugares ocorreram, provavelmente, os abusos denunciados por Daniel e sofridos por várias vítimas a mais, nos últimos anos. Alguns são sacerdotes em paróquias da capital e um, inclusive, faz parte da Cúria diocesana.

Seu líder é um ex-focolarino, e sua espiritualidade almeja ser calcada no movimento fundado por Chiara Lubich, ainda que não tenham sido reconhecidos pelo eles em nenhum momento. É o clássico movimento dos que saem de uma organização e querem fundar outra semelhante. Sua “fraternidade” não é reconhecida canonicamente, ainda que se organizem como se fossem.

Trata-se de um grupo organizado, sem personalidade jurídica, mas com fortíssimos laços internos entre si, algo perfeitamente conhecido pelo clero e a Arquidiocese granadina. Muitos vivem juntos ao menos dois dias por semana (de domingo a terça-feira) em um apartamento localizado no centro de Granada, junto à paróquia atribuída – até um mês atrás – ao líder, um dos três sacerdotes suspensos pelo Arcebispo. E passam muitos fins de semana juntos na costa granadina.

A idade média do grupo é de aproximadamente quarenta anos, e controlam paróquias de Granada, da área metropolitana, da Costa e da Alpujarra.

Esta página web conhece nomes, sobrenomes e direções de todos os possíveis envolvidos na trama, mas não prejudicará a investigação judicial, ainda em marcha.

A publicação desta notícia apenas tem como objetivo tornar conhecidos os dados sobre os responsáveis e permitir, deste modo, mudar o “foco” de interesse, que não deve ser o de perturbar a privacidade – já em si afetada – da autêntica vítima, Daniel.

O outro grande protagonista da história, o arcebispo Francisco Javier Martínez, entrava nesta manhã com o rosto “cansado e abatido”, segundo apontaram fontes diretas, na reunião da Conferência Episcopal, em Madri. Em declarações para Antena 3 e La Sexta, o ainda arcebispo de Granada se declarava “compungido” e oferecia sua versão da história, que coincide com a apresentada por esta página web, ainda que o prelado assegure que a todo momento colaborou, e colabora, com a Justiça. Algo que, ontem mesmo, o subdelegado do Governo em Andaluzia desmentia, ao apontar que a investigação não se dirigiu à Arquidiocese.