Globais e ecumênicos: os luteranos nos 500 anos da Reforma

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28 Outubro 2014

Vai ser a figura de um Lutero "global e ecumênico" que surgirá em 2017 a partir das celebrações do quinto centenário da Reforma.

A reportagem é do jornal L'Osservatore Romano, 26-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É o que explicou a pastora Margot Kässmann, embaixadora oficial do Jubileu da Reforma, no discurso proferido há poucos dias em Roma na conclusão da Jornada da Comunidade Evangélica Luterana na Itália.

As celebrações de 2017 evidenciarão "a multiplicidade da Reforma em todos os continentes" e o seu significado em um "mundo globalizado e em uma época de ecumenismo mundial".

O lema da terceira Jornada da Comunidade Evangélica Luterana Italiana – manifestação bienal que segue o modelo do Kirchentag alemão – foi o versículo bíblico "Procurai o bem da cidade" (Jeremias 29, 7), que serviu de pano de fundo ao tema "Reforma e política" que, neste ano – conforme a agência Nev –, envolverá a reflexão dos luteranos de todo o mundo no caminho rumo ao aniversário de 2017.

Sobre o assunto, falaram, em particular, além da pastora Kässmann, Fulvio Ferrario, professor de teologia sistemática na Faculdade Valdense de Roma, que realizou um estudo sobre o capítulo 13 da epístola aos Romanos, no qual Paulo convida os cristãos a "serem submissos à autoridade".

Um texto – destacou-se – que teve consequências históricas que foram "muito além das intenções do apóstolo, que pretendia apenas dirigir recomendações práticas, e não construir uma teologia do Estado". Destacou-se que "o texto, de fato, não faz parte da seção teológica da epístola aos Romanos, mas da exortativa".

O discurso sobre Reforma e política – acrescentou-se – "não pode desconsiderar uma severa autocrítica que vai das posições defendidas por Lutero na Guerra dos Camponeses ao período nazista na Alemanha".

De modo positivo, porém, "o protestantismo sempre promoveu uma espiritualidade capaz de enfrentar com um espírito de liberdade de consciência as questões cruciais da atualidade".

Segundo Kässmann, dois temas inevitáveis do nosso tempo são as migrações – "um desafio global" em relação ao qual não se pode responder principalmente com um "controle restrito" – e a paz.

Sobre esta última, a embaixadora da Reforma disse: "Somos incapazes de aprender a paz? Embora as Igrejas do mundo, em 1948, tenham declarado que a vontade de Deus é que não haja guerra, hoje se fala continuamente da guerra como 'ultima ratio' e nunca da paz como 'prima ratio'".

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