Nosso Jogo: uma iniciativa para um jogo global justo

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Junho 2014

Os megaeventos esportivos atraem um grande público - seja ao vivo ou à distância. São os eventos que recebem a maior atenção e cobertura a nível mundial. Campeonatos esportivos transportam ideias de lealdade, de regras claras e de um ambiente de trabalho positivo e agradável. As regras que estão em vigor nas competições também tem de ter validade nas imediações dos foros para que o balanço não seja positivo somente para organizadores, atletas e empresas, mas também para a respectiva população local e para todas as pessoas envolvidas nas cadeias produtivas.

As recentes manifestações e a oposição massiva que se noticia contra a Copa da FIFA no Brasil apontam para a urgência no tocante à adjudicação e à realização dos megaeventos esportivos, no sentido de ocorrerem em conformidade com as constituições nacionais e com os direitos humanos em geral.

As competições internacionais não podem ser a base para remoções forçadas, exploração, discriminação e violência, como explicita a realidade brasileira.

Os preparativos da Copa da FIFA de 2014 e a resposta dos movimentos sociais ao modelo FIFA mostram ser necessário repensar os próximos eventos como as Olimpíadas de 2016 no Brasil e outros grandes eventos esportivos, formando uma base para estabelecer novos padrões. Uma declaração conjunta do Comitê Olímpico Sueco e da Confederação Sindical Sueca em relação à apresentação de candidaturas dos Jogos Olímpicos de 2022 (Link) mostra que existem outras maneiras de realizar estes grandes eventos.

Nós, os/as signatários/as desta petição, nos juntamos às exigências dos Comitês Populares da Copa e Olimpíadas no Brasil e dos sindicatos do Fair Play Alliance e, portanto, reivindicamos o seguinte:

• O cumprimento dos direitos trabalhistas no contexto dos grandes eventos esportivos no país de acolhimento e na cadeia de suprimentos de artigos esportivos e de merchandising, de acordo com normas internacionais do trabalho, em coordenação com os sindicatos nacionais e internacionais. Não à discriminação, violência e cerceamento dos/das trabalhadores/as do setor informal.

• O cumprimento de direitos fundamentais como o livre acesso a moradia, transporte público, educação, saúde, lazer, espaço público, cultura e meio ambiente saudável, de acordo com a legislação nacional e internacional. Pela paralisação urgente e permanente das remoções forçadas e a abertura imediata da negociação coletiva com os/as moradores atingidos/as, visando a realocação “chave-a-chave” e a reparação às pessoas já removidas.

• Leis eficazes, medidas e respectiva implementação contra o sexismo, a discriminação, a violência, a exploração sexual e o tráfico de seres humanos. Pela não execução de qualquer atividade promocional sexista por parte de patrocinadores e promotores dos eventos em questão.

• Pelo fim de práticas de racismo, de violência, de intolerância e discriminação de minorias sociais, independentemente da sua orientação sexual ou de sua origem étnica.

• Pelo Direito à informação, debate público e participação da população, em especial dos/das atingidos/as em relação às decisões de amplo alcance (por exemplo despejos, obras) que consomem fundos públicos e provocam mudanças fundamentais na legislação (como é o caso da, Lei Geral da Copa, Lei nº 12.663). Abolição dos tribunais de exceção no entorno dos estádios e da discriminação de protestos sociais (PLS 499/13).

• Garantir efeitos positivos duradouros para o país de acolhimento, construindo relações econômicas e trabalhistas estáveis, baseadas em leis trabalhistas eficazes, evitando dumping salarial e social, assegurando o estabelecimento e a adesão aos sindicatos e o envolvimento das empresas locais, inclusive o trabalho ambulante, o comércio popular e os/as artistas de rua.

• Revogação e fim das isenções para a FIFA, o COI e seus patrocinadores e parceiros comerciais, assim como para os administrados dos estádios e centros de eventos (FanFest), bem como a paralisação dos processos de privatização de espaços públicos. Os lucros da realização de grandes eventos esportivos devem ser revertidos e deveriam estar à disposição para garantir direitos sociais (educação, saúde, transporte público, assistência social, etc.) do país anfitrião.

• Inclusão de direitos internacionais do trabalho, direitos humanos, direitos da criança e do adolescente e disposições de proteção ambiental nos critérios de adjudicação e no código de conduta da FIFA e da Carta Olímpica, assim como nas respectivas modalidades de aplicação com as federações nacionais de futebol e Comitês Olímpicos.

Para assinar a petição:
http://www.dka.at/nossojogo#ad-image-25

As instituições responsáveis pelo projeto são: VIDC, Südwind, Instituto Austríaco para a América Latina (LAI), Frauensolidarität, Globalista e Jugend eine Welt.