Extermínio de índios terá destaque no relatório final da Comissão da Verdade

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07 Março 2014

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade terá um alentado capítulo sobre o extermínio de povos indígenas durante os anos da ditadura militar. Será a primeira vez que uma comissão destinada a apurar graves violações de direitos humanos em países da América Latina trata do assunto de maneira institucional e abrangente.

A informação é de Roldão Arruda, jornalista, publcada no seu blog, 06-03-2014.

De acordo com a psicanalista Maria Rita Kehl, integrante da comissão e coordenadora do grupo denominado Graves Violações de Direitos Humanos no Campo ou Contra Indígenas, a sociedade brasileira ainda não conhece toda a extensão das sistemáticas violações de direitos humanos cometidas contra os índios. Isso estaria ocorrendo porque eles não receberam o mesmo tipo de atenção dada aos militantes de esquerda urbanos.

“Os militantes urbanos e os familiares dos mortos e desaparecidos sempre tiveram mais condições de se organizar, sabiam o que era ditadura. Nós até devemos a eles a criação da Comissão da Verdade”, disse Maria Rita. “As questões indígenas e camponesas, porém, nunca vieram à tona da maneira que estão vindo agora.”

Segundo a coordenadora, o Estado brasileiro foi parcial no tratamento da questão. “O Estado era o defensor dos fazendeiros e ponto. Os camponeses que tinham suas terras invadidas e tentavam se defender eram chamados de terroristas.”

O relatório deve analisar os grandes projetos de integração da Amazônia desenvolvidos pelos militares. Eles teriam tratado o território amazônico como área desocupada, ignorando os índios que ali viviam.

Um dos casos estudados é o da construção da Rodovia BR-174, que liga Manaus a Boa Vista. “A obra cortou o território onde viviam os waimiri atroari. Estima-se que dois mil índios foram exterminados”, disse Marcelo Zelic, integrante do grupo Tortura Nunca Mais e assessor da Comissão da Verdade.

A incorporação da questão indígena às investigações é criticada por alguns setores de direitos humanos. Afirmam  que o tema é excessivamente amplo para ser analisado no tempo de duração da comissão. O extermínio daqueles contingentes populacionais deveria ser estudado de forma isolada, como questão étnica. Isso permitiria concentrar mais forças no esclarecimento de casos de mortos e desaparecidos.

Para Zelic, as críticas são reducionistas. “Apurar apenas os casos das pessoas que militavam em organizações de esquerda nas cidades significa apequenar a questão dos direitos humanos”, afirmou. “Se a comissão não conseguir apurar tudo, nada impede que se pleiteie a prorrogação das investigações.”