“Não queremos dar lições. Agora, que os padres reflitam", diz integrante de comissão da ONU

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Por: Jonas | 10 Fevereiro 2014

Maria Rita Parsi, psicoterapeuta e presidente da Fundação Movimento pelas Crianças (Itália), há quase um ano faz parte da Comissão da ONU. O documento “e cada palavra – explicou – foi avaliada, pesada, estudada”. Ela pede, entre outras coisas, que os sacerdotes pedófilos sejam destituídos e entregues às autoridades civis.

 
Fonte: http://goo.gl/hOLbIp  

A entrevista é de Roselina Salemi, publicada por Vatican Insider, 06-02-2014. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Como chegaram a essas conclusões?

Foi um trabalho complexo e difícil: um comitê multissetorial e multinacional examinou documentos e escutou depoimentos. Tivemos uma mulher extraordinária, Kristen Sandberg, doce, mas firme, cheia de respeito, como presidente. Porém, para além dos casos de danos, castigos corporais, abusos sexuais, a Comissão quis colocar no centro a questão dos direitos. Se nós acreditamos que as crianças possuem direitos, como o de ter uma família, estudar, receber curas, brincar, devemos atuar consequentemente.

A Igreja não demonstrou uma certa abertura?

A Igreja está avaliando se retirar ou mudar o seu sigilo. E colocar em uma maior sintonia o direito canônico com os artigos da Convenção. Estamos no início, mas é uma grande oportunidade. De uma sintonia entre o Vaticano e o mundo laico poderia nascer uma grande revolução dos corações.

A Comissão pretende dar lições à Igreja?

Não, nenhuma lição. A Igreja deve, simplesmente, enxergar-se por dentro para analisar a pedofilia, as violências, os abusos, e não caminhar para outro lado. No fundo, damos força para valores que são parte da tradição cultural cristã e do Evangelho.

No documento se fala sobre o aborto e a homossexualidade, ou seja, vai além da pedofilia. E há aqueles que pensam que se trata de uma forma de pressão em favor do mundo gay...

Falamos de aborto, sim, mas para recordar as mães prematuras, também garotas, que terão um filho em condições difíceis ou que arriscarão suas vidas. Também o tema da anticoncepção, da educação sexual e do afeto deve ser visto com esta ótica. Pedimos à Igreja que avalie e reflita.

E no caso dos homossexuais?

Nós queremos combater a discriminação e o preconceito. Uma criança não deve ser discriminada porque provém de uma família gay; um garoto ou uma garota não devem ser discriminados por sua orientação sexual. Como também não devem ser discriminados porque são negros, ciganos, refugiados ou pobres. Aqui também estamos dentro do Evangelho. Não julgar. Jesus disse isso e o papa Francisco, um homem extraordinário, repetiu. Sua eleição foi uma decisão feliz, um sinal de mudança.