Elogios de Pepe Mujica ao Papa Francisco

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Por: Caroline | 06 Fevereiro 2014

O presidente do Uruguai, José Mujica, convidou ontem seus compatriotas para a leitura de uma das últimas mensagens do papa Francisco, um pontífice que “faz pulsar o sangue nas veias” e o qual Mujica comparou a João XXIII. Durante seu programa semanal na estatal Rádio Uruguai, Mujica, um ateu declarado, falou durante meia hora sobre a Exortação Apostólica intitulada “Evangelii Gaudium” (A Alegria do Evangelho), escrita por Francisco e publicada em 26 de novembro do ano passado. “Neste documento o Papa está nos sacudindo, nos apontando coisas que seguramente machucam, mas que nos retratam em profundidade os problemas que o mundo de hoje enfrenta. Vale a pena e convido a todos a procurar este documento que está na Internet, para pensa-lo em profundidade sobre estas questões”, afirmou o presidente uruguaio.

A reportagem é publicada por Página/12, 05-02-2014. A tradução é do Cepat.

Mujica enfatizou o questionamento do Papa sobre a economia de mercado e sobre as teorias econômicas, como a do derrame, que “supõe que todo o crescimento econômico favorecido pela liberdade de mercado consegue provocar, por si mesmo, uma maior equidade e inclusão social no mundo”.

“Não há desperdício. É através de uma responsabilidade natural, uma luz para interpretar, em profundidade, muitos dos males que nos afligem em nosso tempo”, disse Mujica sobre Francisco. O ex-líder da guerrilha tupamara, que passou 14 anos preso na ditadura, concordou com a visão do pontífice de que “até que se reverta a exclusão e a desigualdade na sociedade e entre os diferentes povos, será impossível erradicar a violência”.

“Há muitas coisas para pensar, contidas nestas afirmações do papa, que naturalmente está levantando nuvens de poeira”, opinou Mujica, que celebrou as coincidências entre a mensagem do Papa e as da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), ocorrida em Havana na semana passada.

Antes de se referir ao Papa, o governante da Frente Ampla, justificou o conteúdo do seu programa radiofônico pelo respeito que sente, do ponto de vista político e histórico, pela Igreja Católica e seu trabalho na América Latina. Também lembrou que há vários anos esteve lutando pela sua própria vida em um hospital uruguaio e via as pessoas que morriam ao seu redor. “Assim aprendi que, no mínimo, as religiões cumprem o piedoso papel de ajudar a ter uma boa morte, para aqueles que creem. Isto que é, aparentemente, profundo e simples, merece um enorme repeito por nós que não podemos ser crentes”, acrescentou.