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Por: André | 13 Dezembro 2013

Havia também uma cópia do livro, que sairá proximamente, na famosa maleta com que o padre “vileiro”, José di Paola, se apresentou às portas da Casa Santa Marta, em Roma, em agosto passado.

 A reportagem é de Alver Metalli e publicada no sítio Vatican Insider, 11-12-2013. A tradução é de André Langer.

Uma foto o retrata nas mãos do Papa Francisco que teve muito a ver com o livro e o seu conteúdo. Até com o título: “O cardeal Bergoglio foi o primeiro a usar esta expressão”, explica o argentino Víctor Primc, curador do livro Corpo a corpo.

 
Fonte: http://bit.ly/1bHUacY  

Então nos recomendou dois princípios nos quais devíamos nos inspirar: acolher a vida das pessoas assim como chegam até nós, e elaborar a resposta tendo em conta a individualidade de cada um, que nunca é igual uma à outra, por isso “corpo a corpo” com ela.

Eis a entrevista.

Passaram-se quatro meses desde que uma cópia de Corpo a corpo chegou ao Vaticano.

E a situação do narcotráfico na Argentina só piorou. A ponto de que toda a Igreja se mobilizou para evitar a “mexicanização” do país. Com as armas da denúncia – “O país está se transformando em um campo de batalha entre traficantes e isto é algo inaceitável” – e as da proposição. O Lar de Cristo da Villa 21 – do que fala o livro – pertence a esta segunda dimensão.

“É composto de duas partes”, afirma Primc, um engenheiro biomédico de Tucumán que colabora com a obra. “Na primeira parte, fala-se do Lar, que inicia com o padre Pepe di Paola, e descreve-se como está articulado; na segunda parte, explicam-se os fatos mais significativos, fala-se das pessoas que foram ao Lar, de como foram ajudadas e o que aconteceu com elas. Ao final de cada “caso” colocam-se em evidência os aspectos metodológicos, que podem ser também “adotados” por outros em outras situações.

Qual é o objetivo do livro...

A ideia original era de ter um documento de trabalho, um texto que pudesse ser de ajuda também para outros que se encontram com a problemática da recuperação de toxicodependentes. Neste sentido, explica como se pode acompanhar pessoas que vivem em situações de marginalidade durante o percurso que os leva para fora do túnel da droga. E mostra a visão que os sacerdotes amadureceram sobre o tema nas favelas de Buenos Aires e quem colabora com eles em um “corpo a corpo” diário com pessoas que consomem cocaína...

Mas é possível “exportar” uma experiência como a do Lar de Cristo?

Os sacerdotes da “vila” insistem sempre em que eles respondem, no modo como o fazem, a situações de consumo de cocaína nas favelas de Buenos Aires. Portanto, quem deseja replicar a experiência deve basear-se neste princípio, que pode ser traduzido em uma valorização concreta das situações que se tem diante de si. É verdade que na Argentina são muitas as pessoas que se aproximaram do Lar para pedir ajuda porque não sabem como fazer, e vendo como os sacerdotes das favelas saíram, buscam por sua vez “replicar o modelo”. Com o tempo se entenderão melhor os frutos.

As instituições públicas... também elas podem beneficiar-se da experiência do Lar?

Do meu ponto de vista deveriam tomar nota do que está acontecendo e mover-se nesta direção. Um dos “dispositivos” criados no Lar é o chamado “Centro de Bairro”. São portas de entrada próximas às pessoas que proporcionam orientação a quem se encontra em uma situação de sofrimento social devido ao consumo de drogas. Estes espaços apóiam as pessoas do bairro a quem seria difícil, senão impossível, ter acesso a instituições do Estado, devido também à extrema pobreza na qual se encontram. As instituições públicas deveriam levar em conta esta modalidade e apoiá-la.

Voltando ao Papa. O que ele tem a ver com o livro, além do título?

Bergoglio apoiou desde o início os sacerdotes e seu trabalho nas favelas. Não apenas na criação do Lar e sua inauguração, da qual ele mesmo participou na Quinta-feira Santa de 20 de março de 2008, na Paróquia Virgem de Luján; ali lavou os pés de seis rapazes que se drogavam mostrando, deste modo, que a Igreja está disposta a servir às vítimas deste flagelo. Depois abençoou as instalações do Lar, as do centro do Bairro Santo Alberto Hurtado na Villa 21; a partir deste momento voltou várias vezes reunindo-se com quem neles trabalhava, celebrando os sacramentos, inaugurando novas sedes ou simplesmente estando com os jovens. O livro começa com uma carta que Francisco mandou uma semana depois de ser eleito Papa para celebrar o quinto aniversário do Lar.

O livro pode ser considerado uma resposta da Igreja ao drama do narcotráfico?

“Uma”, certamente, porque a Igreja atua em muitas outras áreas. O narcotráfico procura zonas de sombra onde ocultar-se e a histórica ausência do Estado nas favelas ofereceu-lhe o modo de fazê-lo. A droga, que antes estava concentrada nas quadrilhas, nas quadrilhas juvenis, expandiu-se para todo o território com a cocaína, uma substância econômica e com um alto poder destrutivo. O Lar de Cristo responde a esta situação. Quem encontra o Lar de Cristo sabe que descobriu um lugar que não o abandonará, independente do vier a acontecer; esta é sua eficácia.