13 Novembro 2013
O presidente nacional do PT, o deputado estadual de São Paulo Rui Falcão, foi reconduzido ao comando da legenda ontem, com a vitória mais expressiva desde que a sigla adotou, em 2001, o Processo de Eleições Diretas (PED). Com 79% das urnas apuradas, Falcão alcançava 70,2% de um total de 337.604 votos válidos. Os melhores desempenhos registrados no primeiro turno dos quatro PEDs anteriores eram de José Eduardo Dutra, com 57,9%, em 2009, e de José Dirceu, com 55,6%, em 2001.
A reportagem é de Cristian Klein e publicada pelo jornal Valor, 13-11-2013.
A principal tarefa de seu mandato, de quatro anos, anunciou Falcão, será trabalhar a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Diferentemente das últimas disputas presidenciais, no entanto, quando a estratégia foi a de criticar privatizações realizadas no governo Fernando Henrique Cardoso, o PT lançará mão de um novo discurso.
É o que indicou Rui Falcão, ao ser questionado pelo Valor se um eventual segundo governo Dilma manterá a marca social das gestões petistas sob um orçamento mais apertado. Falcão afirmou que há a necessidade de uma reforma tributária e de mais investimentos da iniciativa privada. "As concessões são uma política que está em andamento, há editais previstos ainda para serem lançados e é a sinalização do governo de que a iniciativa privada precisa ajudar a bancar os custos de logística. O país já passou 20 anos atravancado", disse.
Falcão argumentou que, antes da chegada do PT ao poder em 2003, não se investia desde o governo Juscelino Kubitschek (1956-1960) em ferrovias, rodovias e metrô. O dirigente defendeu um maior papel do setor privado para resolver estes gargalos, seja para facilitar a circulação da produção ou das pessoas nas áreas metropolitanas. "Tudo isso requer investimento. E o Estado sozinho não dá conta de prover essas inversões. É preciso chamar a iniciativa privada. Até porque ela também se beneficia, por exemplo, com o escoamento da produção. Esse é o sentido das concessões", disse.
O petista afirmou também que o partido quer discutir uma reforma tributária - cujo desdobramento seria crescer a arrecadação. Uma das preocupações é ter recursos para atender as reivindicações dos protestos de ruas, iniciados em junho, e que exigiram maior qualidade dos serviços públicos.
Sobre a marca social do PT, Falcão destacou que existe uma linha ampla de programas sociais já consolidada e criticou a sugestão do provável adversário de Dilma em 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que propôs a transformação do Bolsa Família em política de Estado. "Há um pré-candidato querendo reinventar a roda, transformar o Bolsa Família em lei, o que já é desde 2004", disse.
A vitória robusta de Rui Falcão foi conseguida por meio do apoio da tendência Movimento PT, que tradicionalmente concorre à presidência do partido. O recorde de 70% é praticamente o resultado do grupo majoritário, que em 2009 foi encabeçado por José Eduardo Dutra e obteve 57,9% dos votos, somado aos 12,4% então alcançados pelo candidato Geraldo Magela, do Movimento PT.
Falcão, no entanto, perdeu em sua própria zonal, a de Pinheiros, para o deputado federal Paulo Teixeira, seu maior concorrente e que estava amealhando, nacionalmente, 19,8% dos votos.
Grande diferença para o último PED foi a queda de 10% na participação dos militantes. Enquanto 518.192 petistas votaram em 2009, desta vez, foram pouco mais de 465 mil. Falcão atribui o declínio à mudança nas regras, como a quitação financeira dos filiados - que antes podiam pagar até o dia da eleição - e as cotas de gênero (50%), racial e para jovens (ambas 20%), exigidas para a formação das chapas. Cerca de 700 municípios não conseguiram atender ao critério e, nestes locais, haverá um PED extraordinário em 2015. Na disputa pelas 82 vagas do diretório e 18 da executiva nacional, a chapa O Partido que Muda o Brasil - liderada pela principal corrente da sigla, a CNB - tinha 52,8% dos votos.