A ciência e a luta contra o mal. Artigo de Umberto Veronesi

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28 Setembro 2013

Para o pensamento científico, o mal é uma categoria complexa, que sempre tem razões externas ou ambientais. O bem é a regra, e o mal é um erro ou a sua negação.

A opinião é do oncologista e ex-ministro da Saúde italiano Umberto Veronesi, em artigo publicado no jornal La Repubblica, 25-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O Papa Ratzinger confirma com a carta a Odifreddi a extraordinária abertura ao pensamento científico declarada no discurso de Regensburg: o logos – seja palavra, quanto pensamento – não se opõe à fé, porque "não agir segundo a razão é contrário à natureza de Deus".

Um tema fundamental, que é retomado no terceiro ponto da carta de Bento XVI: "Uma função importante da teologia é a de manter a religião ligada à razão, e a razão, à religião". Essa posição é muito avançada e compartilhável, e eu acredito que nós, cientistas, devemos ser gratos por isso ao ex-pontífice.

O que, ao invés, não podemos compartilhar é a observação sobre os temas que faltam na religião da matemática: a liberdade, o amor e o mal. Se referimos essa observação à ciência no seu conjunto, temos o dever moral de responder que a ciência é liberdade ou, melhor, é a máxima expressão da liberdade de pensamento, porque não conhece nem dogmas, nem verdades adquiridos.

O amor também faz parte da essência da ciência, se por amor entendermos o amor universal, pela humanidade acima de tudo e pelo ambiente em que se vive. O próprio fim da ciência é a melhoria constante do bem-estar do homem sobre a terra.

Por isso, a luta contra o mal também faz parte dessa finalidade última. Toda a ciência – e a ciência médica de modo particular – é uma contínua busca das causas do mal para removê-las. Para o pensamento científico, o mal é uma categoria complexa, que sempre tem razões externas ou ambientais. O bem é a regra, e o mal é um erro ou a sua negação.