Palavras e palavras: assim muda o modo de ser papa

Mais Lidos

  • De Rerum Novarum a Leão XIV: não era o vapor, mas a ética; não são os dados, mas a dignidade. O que vale não é mensurável. Artigo de Paolo Benanti

    LER MAIS
  • Deus Trindade: circularidade-encontro-amor. Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • Juventude e novas direitas, para além dos estereótipos e dos extremos. Entrevista com Beatriz Besen

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

23 Setembro 2013

O Papa Francisco fala, tuíta, telefona. Boa parte do seu sucesso depende dessa relação especial com as pessoas. Os seus gestos e as suas palavras já se tornaram escolhas de fundo e um aspecto central do pontificado. Bergoglio transformou o modo de exercício do ministério do bispo de Roma, isto é, do papa. Neste mês, ele deu novamente credibilidade a uma instituição, a Igreja, que corria o risco de ser esmigalhada depois dos escândalos.

A reportagem é de Alberto Bobbio, publicada no sítio da revista Famiglia Cristiana, 19-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele fala e em todas as partes coloca o centro no Evangelho. Ele não é ingênuo. Já entendemos que ele tem o seu próprio ritmo em dizer e em calar, quando dizer e quando calar. Na entrevista às revistas dos jesuítas, ele diz tudo o que tem em mente a poucos dias da reunião dos oito cardeais encarregados de reformar a Cúria. Ele antecipa a interpretação autêntica, de que forma ele dita a linha. Esse seu modo de agir deixa a todos inquietos. Ouve-se dizer por aí que esse Francisco é capaz de tudo. A melhor análise do estilo de Bergoglio é de Alberto Melloni: "Energia calma e incoercível".

Ele diz coisas tão normais, segundo o espírito e a letra do Evangelho, que se tornam esquisitices, até mesmo anomalias. E isso por dois motivos. Estamos de tal modo acostumados com a opacidade e com a ambiguidade que acompanha o fato de deter cargos públicos que Bergoglio nos admira. Na realidade, ele é um exemplo, e o seu estilo resgata o cargo público de líder e encontro nisso uma apreciação generalizada e transversal. Especialmente por um motivo: Bergoglio é coerente com o Evangelho e com a própria história pessoal.

O segundo motivo da admiração é que, talvez, os crentes cercaram a mensagem de Jesus de afastamento da vida real, e, por isso, quem a reaproxima é considerado, no mínimo, singular. Já há quem o critique abertamente critica e lhe chame de demagogo, o adverte para não exagerar.

A rede está cheia de críticas dos mais conservadores entre os católicos. Depois da entrevista com as revistas dos jesuítas, certamente elas aumentarão. Acusam-no de acariciar o lado anti-institucional que leva ao êxtase os católicos progressistas e os não crentes anticlericais. Retratam-no como um autocrata gentil.

Ele continua falando e telefonando. Traça um caminho, não há dúvida. Comunicação pura e empatia total com as pessoas. Por isso, (quase) todos lhe querem bem.