10 Setembro 2013
A confirmação de Dom Georg Gänswein à Prefeitura da Casa Pontifícia diz duas ou três coisas sobre a convivência dos dois papas que moram a cem metros um do outro: que Francisco aprova o que Bento XVI tinha predisposto, que os dois aprovam a relação vivida até hoje, que essa relação poderia ter outros desdobramentos.
A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 01-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Bento XVI tinha estabelecido que se chamaria "papa emérito", que continuaria se vestindo de branco e que moraria no Vaticano, que manteria consigo o secretário, que, em vista da renúncia, tinha nomeado "prefeito da Casa Pontifícia": ele gerencia a agenda do papa, audiências, saídas e afins.
A última das quatro disposições era a mais complicada, porque envolvia o sucessor: o novo papa terá gostado desse trait d'union comprometedor, que podia se assemelhar a um cordão umbilical? Agora sabemos que ele gostou.
A presença de Dom Georg ao lado de ambos – ele mora com Bento XVI no mosteiro Mater Ecclesiae e está ao lado de Francisco nas horas de expediente – facilita a prática da boa convivência entre os dois. Uma convivência que, em mais de um caso, se perfilou como colaboração, veja-se a encíclica Lumen fidei publicada no dia 5 de julho e a passagem de bastão com relação à investigação sobre o "corvo" e os seus contornos.
Até hoje, os dois papas estiveram presentes juntos em um evento público uma única vez: no dia da publicação da encíclica, na inauguração de um monumento nos Jardins Vaticanos. Dom Georg, que agora é confirmado no papel de interface, poderá sugerir novas presenças conjuntas, se ele ver que elas agradam aos dois.