A Igreja do calvário. Artigo de Paolo Dall'Oglio

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Julho 2013

O que resta da esperança cristã? A esperança é da ordem do combate, não das previsões! Zombaram de Jesus no Calvário. Muitos hoje caçoam dos revolucionários sírios, principalmente desses pobres imbecis democráticos... mas a última palavra não foi dita!

A opinião é do jesuíta italiano Paolo Dall’Oglio, fundador do Mosteiro Deir Mar Musa (Síria), atualmente vivendo no exílio, depois de ser expulso da Síria. O artigo foi publicado no sítio da revista Popoli, 04-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o artigo.

No site da revista Tempi, no dia 8 de junho de 2013, o patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, expressou, por assim dizer, o sentimento da maioria dos cristãos da Síria e de todo o Oriente Médio: ser "Igreja do Calvário". As primaveras árabes seriam definitivamente apenas uma nova etapa do mal-estar dos cristãos orientais diante do crescimento do islamismo político, sob a máscara das reivindicações democráticas.

No caso da Síria, embora reconhecendo a necessidade de reformas, o patriarca declara que não se pode "destruir um país inteiro porque alguém quer a mudança". Ele considera que é melhor viver com um ditador do que provocar 80 mil mortes e 1,5 milhão de refugiados. "Não se podem aceitar 80 mil mortos e milhões de refugiados pelo gosto da mudança". E acrescenta que, se os cristãos e os patriarcas pudessem obter vantagens com a revolução, dariam a sua bênção: "Não sabemos para onde estamos indo. Como eu poderia hoje abençoar tantos massacres e tantas mortes?".

É interessante notar como ele omite lembrar que mortos e refugiados são, sobretudo, as vítimas da repressão do Estado contra uma revolução que nasceu democrática e que gostaria de permanecer assim o máximo possível. De repente, as vítimas se tornam o carrasco!

Há cristãos sírios que sofreram por muito tempo por causa do regime, foram presos e torturados, que tomaram o caminho do exílio... Eles são solidários com os outros sírios democráticos da revolução em andamento.

Mas é possível que a revolução esteja perdida! A ausência de solidariedade ocidental, assim como por parte de outras potências, como a Índia e o Brasil, somada às contradições do próprio movimento; a ajuda econômica e militar direta fornecida pela Rússia e pelo Irã; a invasão das melhores tropas libanesas dentro do território sírio; a presença de grupos radicais islâmicos e clandestinos in loco; a ilimitada vontade repressiva do regime e dos seus clãs associados; a manipulação bastante eficaz da informação internacional, com a ajuda muito ativa de homens e mulheres da Igreja; o interesse geoestratégico de Israel e do Ocidente por uma guerra civil entre os muçulmanos, segundo a opinião explícita dos teóricos conservadores...

Tudo isso poderia efetivamente produzir uma tragédia completa: 500 mil mortos, 5 milhões de refugiados ao exterior e uma Síria reduzida a uma cratera.

Certamente, se tivéssemos sabido antes, teríamos, talvez, abandonado o país sem lutar. Mas os nossos jovens pensaram diferente.

O que resta da esperança cristã? A esperança é da ordem do combate, não das previsões!

Zombaram de Jesus no Calvário. Muitos hoje caçoam dos revolucionários sírios, principalmente desses pobres imbecis democráticos... mas a última palavra não foi dita!