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Por: Cesar Sanson | 25 Junho 2013

“Crescem as análises de que o movimento caminha para uma direitização, sobretudo, em função da intolerância e virulência contra os partidos. Esse tipo de leitura é conservadora, não captura a riqueza do conteúdo do movimento, de suas inflexões para o devir político – o elemento mais importante”. O comentário é de Cesar Sanson, professor de Sociologia da UFRN e colaborador do Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

Eis o artigo.

Nas grandes manifestações das “Diretas Já” (1984) e “Impeachment” (1992), os partidos de esquerda, movimentos sociais e pastorais imprimiam o ritmo dos atos. Carro de som, faixas assinadas pelos coletivos e itinerário pré-definido que invariavelmente terminava com um ato e ‘falas’ das organizações. Agora, não há carro de som, as faixas coletivas foram substituídas pelos cartazes individuais, tampouco se tem itinerário pré-definido e não há um ato que termina com a ‘fala’ dos movimentos.

É pior ou melhor? É diferente!

Vejo que crescem as análises de que o “movimento caminha para uma direitização”, sobretudo, em função da intolerância e virulência contra os partidos. Algo mesmo inaceitável, muito mais quando há violência física. Porém, esse tipo de leitura é conservadora, não captura a riqueza do conteúdo do movimento, de suas inflexões para o devir político – o elemento mais importante.

Os partidos de esquerda, sempre ou quase sempre tiveram hegemonia das ruas e nesse momento correm a tentação de desqualificar o movimento porque não dão a direção. Não se trata de ser ingênuo, é evidente que há uma disputa, mas desqualificar porque sente-se criticado ou ameaçado em sua hegemonia é redutor.

Ainda mais: a esquerda, principalmente o PT, mas não apenas, precisa fazer autocrítica dos erros que cometeu. A critica ao “modelo de inclusão social via mercado” e não via resolução dos problemas estruturais demanda autocrítica. Li um twitter que diz assim: “Dilma, imperdoável. Jamais uma palavra de apoio aos LGBT, índios, removidos, ribeirinhos, haitianos. Só carros, produção, consumo, energia”.

R$ 0,20 centavos = pauta social

Aqui em Natal, na manifestação, um cartaz dizia: “Seu filho está doente? Leve ele ao Arena das Dunas”. Arenas das Dunas é o estádio no qual se gastará algo próximo a um bilhão de reais. Enquanto isso, a saúde e a educação básica se encontram próximas ao caos. Há um recado claro das ruas que imposta a agenda social no centro de debate político e não na margem.

Mais uma coisa. A questão da ética não é irrelevante. Não é apenas uma pauta udenista. Equivoca-se quem procura desqualificar essa agenda.