“Sairá uma encíclica a quatro mãos”, afirma o Papa Francisco

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Por: André | 14 Junho 2013

A encíclica sobre a fé, sobre a qual Bento XVI havia começado a trabalhar alguns meses antes da sua renúncia, sairá a quatro mãos. Disse-o, improvisando, o Papa Francisco na manhã desta quinta-feira, aos membros do Conselho Ordinário do Sínodo, que foram recebidos em uma audiência que se transformou em uma reunião de trabalho na qual insistiu particularmente sobre o tema da “sinodalidade”.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio Vatican Insider, 13-06-2013. A tradução é do Cepat.

“Agora deve sair uma encíclica” sobre a fé, disse Bergoglio, “uma encíclica a quatro mãos, dizem: o Papa Bento a começou e ma entregou; é um documento forte”. O Pontífice disse: "recebi este grande trabalho que ele fez e que eu levei adiante”.

Há algumas semanas, depois de uma audiência com Francisco, o bispo de Molfetta, Luigi Martella, escreveu na revista diocesana Luce & Vita que o Papa deverá publicar uma encíclica utilizando um rascunho em que estava trabalhando seu predecessor. O padre Frederico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, apesar de confirmar a publicação da encíclica sobre a fé, havia desmentido que o Papa emérito estivesse envolvido em sua redação. “A notícia não tem fundamento, segundo a qual Bento XVI estaria completando o projeto”.

Agora foi o próprio Francisco quem disse que a encíclica é fruto do trabalho “a quatro mãos” e que tem a intenção de reconhecer, no papel, a contribuição do seu predecessor. Não se deve esquecer que algo semelhante aconteceu pouco depois da eleição de Bento XVI, que se serviu, para a sua primeira encíclica – Deus caritas est – dos materiais que estavam num rascunho preparado por João Paulo II, mas que havia ficado inacabado.

O argumento mais importante da audiência, que se transformou em uma discussão e numa reunião de trabalho, foi o da sinodalidade. Francisco recordou que com os oito cardeais encarregados de aconselhá-lo na reforma da Cúria conversará sobre como reforçar este aspecto. Entre as sugestões que vieram, indicou o Papa, está a de encontrar “um caminho de coordenação entre a sinodalidade e o bispo de Roma”. Um “caminho novo que expresse a própria singularidade unida ao ministério petrino”.

Francisco também explicou que alguns estão de acordo em que o Conselho do Sínodo “seja um conselho permanente até o próximo sínodo, que pode ser convocado e consultado”. Não se deve esquecer que o aspecto da sinodalidade, redescoberto depois do Concílio, é uma central na vida das Igrejas ortodoxas e sua acentuação na Igreja católica latina representaria também um passo significativo no caminho ecumênico. O Patriarca ecumênico de Constantinopla, em uma recente entrevista ao Vatican Insider, chegou a expressar, inclusive, seu apreço pela nomeação dos oito cardeais “conselheiros”.

Outro tema que deve ser enfrentado, indicou o Papa, é o casamento. “Hoje muitos católicos não se casam, mas convivem; o casamento é provisório: é um problema sério”. Francisco acrescentou que na reunião de outubro com os oito cardeais “está prevista a pergunta: a quem devemos encomendar um estudo sobre a pastoral familiar em geral; ao Sínodo? A um Sínodo especial ou ordinário? Mas este é um problema que vamos revisar em outubro...”.

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