Papa aos cardeais: mais profecia e menos burocracia

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06 Mai 2013

À noite, no Esquilino, em Roma, há milhares de fiéis que permaneceram fora da igreja de Santa Maria Maior para saudar o Papa Francisco. "Obrigado pela presença de vocês na casa da mãe de Roma!". O pontífice voltou para rezar o rosário e "tomar posse" da basílica em que, poucas horas depois da sua eleição, na manhã de 14 de março, ele "confiou o seu pontificado a Nossa Senhora", explica o cardeal arcipreste Abril y Castelló. Gestos e palavras que aumentam a cada dia o afeto em torno do papa ("digam todos: viva Nossa Senhora!") e já começam a realizar a "reforma" tão esperada de Francisco.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 05-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No sábado, a agência Ansa falou de uma reunião informal "às margens de uma celebração" com a chefes de dicastério da Cúria, para recomendar mais coordenação entre cardeais e uma gestão mais sóbria dos recursos, "mais profecia e menos burocracia".

O Vaticano não confirma. Certamente, no entanto, Francisco teve a oportunidade de encontrar todos os chefes de dicastério, e o essencial é isso. Nas homilias em Santa Marta, ele tinha explicado que a Igreja não é uma organização "burocrática", mas sim "uma história de amor."

O tema da coordenação da Cúria e de encontros mais frequentes entre os chefes de dicastério e o papa estará no centro da reforma confiada por Francisco ao "grupo" de oito cardeais que se reunirá em outubro. Quanto às economias – "como gostaria de uma Igreja pobre para os pobres" –, Francisco já cortou o subsídio de 25 mil euros por ano que era dado a cada um dos cinco cardeais da Comissão de Vigilância do IOR.

Certamente, inércia e resistência não faltam (nos últimos dias, ele deplorou as comunidades "fechadas" que gostam da "calúnia, das fofocas"), mas Bergoglio continua sereno e decidido. A mesma atitude de humilde firmeza que ele recomendava aos fiéis no último sábado de manhã, em Santa Marta, enquanto falava do "ódio" do "príncipe deste mundo, do diabo" contra os cristãos: "Humildade e mansidão são as armas que o espírito do mundo não tolera, porque as suas propostas são propostas de poder mundano, de vaidade, de riquezas mal adquiridas". Então, ele levantou o olhar: "O diálogo é necessário para a paz, mas com o príncipe deste mundo não se pode dialogar: e que isso fique claro!".

À noite, diante do ícone mariano da "Salus Populi Romani", ele falou de Maria como de uma mãe que "ajuda a olhar com realismo para os problemas da vida, a não se perder neles, mas sim enfrentá-los com coragem, a não ser fracos". Uma mãe que faz "crescer" para ter a "liberdade" de fazer "escolhas definitivas": "Uma vida sem desafios não existe, e um rapaz ou uma moça que não sabe enfrentá-los pondo-se em jogo não tem espinha dorsal!".

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